Gestão

Requisitos dos líderes

Dorival Donadão
13 de outubro de 2014
Dorival Donadão / Crédito: Divulgação
Dorival Donadão é consultor em gestão e desenvolvimento humano / Crédito: Divulgação

É uma preocupação corriqueira dos profissionais em posições de liderança a busca de um saudável equilíbrio entre a dedicação operacional e o contrapeso estratégico. Ou seja, o líder puramente operacional precisa adicionar alguma dose de reflexão e ações estratégicas no seu cotidiano, sob pena de ser engolido pela areia movediça do imediatismo e do envolvimento tão somente tático e técnico-operacional. Essa preocupação acaba tendo respaldo na percepção da realidade; afinal, a cobrança de metas imediatas e a pressão pelo aqui-e-agora prevalecem na grande maioria dos ambientes de negócios. O estímulo e o reconhecimento residem, quase sempre, na prontidão operacional e no famoso “deixa comigo”…

Para assumir um papel estratégico, no entanto, é necessário desfazer o clichê que acompanha esse assunto. Afinal, o que fazem os verdadeiros estrategistas? Quais as prioridades e os requisitos de competências para um líder recompor o equilíbrio entre os papéis táticos e estratégicos? Paul J. H. Schoemaker, um holandês radicado nos EUA e bastante ativo na prestigiada Wharton School (Filadélfia), dá algumas pistas num artigo sobre o tema. Veja a seguir o resumo desse artigo, com nossa livre adaptação:

Líderes estratégicos antecipam: é fundamental abrir a janela, procurar além das fronteiras da sua empresa, construir e manter redes externas de relacionamento. Oxigenar as percepções é um requisito de renovação e de crescimento pessoal e profissional do líder.

Pensam criticamente: cuidado com os modismos de gestão e verdades definitivas. O líder estratégico tem opinião própria, construída com um olhar crítico e questionador. Não se trata da crítica pela crítica, mas, sim, da capacidade de desenvolver um olhar descontaminado e lúcido.

Interpretam: a convivência com a ambiguidade e as contradições é, cada vez mais, um dado da realidade. A saída é buscar novos padrões de entendimento, levantar hipóteses não recorrentes, encorajar a investigação permanente de fatos, dados e tendências. A habilidade de conectar e interpretar dados e informações traz a vantagem de gerar novos insights.

Decidem: parece óbvio, mas o verdadeiro pensador estratégico, num determinado momento, precisa assumir decisões, mesmo que não totalmente respaldado com informações sobre o assunto a ser decidido. As minúcias, o perfeccionismo e o excesso de zelo emperram e retardam as decisões.

Alinham: o consenso absoluto é raro (e muitas vezes errôneo). Construir confiança na divergência é uma habilidade dos líderes estratégicos. Eles chegam a um ponto de debate e busca de apoio para agir de forma colegiada, mesmo que sem unanimidade.

Aprendem: talvez o item de maior importância, o aprendizado contínuo é um alimento revigorador. Aprender com as experiências, extrair lições dos acertos, dos erros e dos conflitos, gerar novas percepções e aprender sempre; este é o reinício de um ciclo pessoal de crescimento do líder verdadeiramente estratégico.

 

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