Resgate da confiança, a prioridade das empresas

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    > Antes de discutir a questão da competitividade, o mundo corporativo deve priorizar o resgate da confiança para restabelecer uma convivência saudável e cooperativa, que permita às pessoas trabalharem juntas diariamente. Trazer esse tema à pauta é um papel que cabe ao RH, mas, para torná-lo uma realidade, é condição que as lideranças sejam fiadoras de um pacto de confiança, ou seja, estejam engajadas no processo. É o que afirma o filósofo e teólogo francês Jean Bartoli, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Fundação Getulio Vargas (FGV) e Fundação Dom Cabral (FDC). “Houve um ´esgarçamento´ nas relações humanas por causa da perda da confiança. Resgatá-la, para mim, é o ponto mais importante porque a falta de confiança provoca uma insegurança violenta”, argumenta. Na avaliação dele, o cenário hoje é bem diferente da época em que os programas da qualidade entraram em alta nas empresas. “Houve um retrocesso. Tivemos um movimento bastante positivo, em que a confiança era muito trabalhada porque se sabia que a melhora da qualidade dependia de todos. Mas a dinâmica das relações que estava se instalando naquele período se perdeu.”

    Bartoli aponta a alta competitividade como um agravante dessa perda: os resultados são cobrados em prazos cada vez mais curtos, sob forte pressão. A questão é que, para se estabelecer uma relação de confiança, as pessoas precisam ter a perspectiva de um futuro em comum com o outro. “Isso se dá no casamento, nas empresas, na política. No discurso, as empresas afirmam ter foco no futuro, mas não é o que acontece. Há que se considerar, ainda, a quebra de confiança advinda da competitividade interna, que Bartoli compara a uma “briga de foice no escuro”, na qual, embora as empresas preguem que pessoas tenham de estar focadas em um objetivo, sabe-se que, na verdade, cada um está preocupado em olhar ao seu redor para ver se não será apunhalado pelas costas. “Como uma organização pode sobreviver se as pessoas estão atirando nas pernas umas das outras?”, questiona, frisando que pactos de confiança honestos se dão no propósito da empresa – “hoje limitado ao resultado financeiro” -, nos seus objetivos, no compartilhamento de recursos e na consciência do papel de cada um.

    Tudo seria diferente, diz Bartoli, se as pessoas pudessem voltar a trabalhar com prazer e orgulho de fazer boas coisas e vissem o dinheiro como meio e consequência desse trabalho, não como fim absoluto. “RH tem de voltar a falar português, porque a linguagem corporativa está se esvaziando. Não dá mais para travestir problemas de conceitos nos quais as pessoas colocam o sentido que querem. O grande papel de RH é chamar a organização para a lucidez. Isso é difícil, porque, na maior parte do tempo, gostamos mais de ilusões do que da realidade, mas as ilusões são vazias, não adianta tê-las porque a realização de um projeto depende das pessoas.”


    Conheça
    Jean Bartoli mora no Brasil desde 1975. Estudou letras e filosofia na Sorbonne (França), é graduado em filosofia pela Facultée de Philosophie Comparée de Paris e em Teologia pela Faculdade de Teologia San Domenico de Bolonha (Itália). Foi padre dominicano até 1981. Depois, formou-se em ciências econômicas pela Fecap, em São Paulo, e ingressou no mundo corporativo. Desde 1994, dedica-se a analisar e discutir relacionamento e ética nas empresas. 

    Com toda essa bagagem, ele integra o time docente do programa Desenvolvimento de Líderes de RH, criado pela ABRH-Nacional, pelo Great Place to Work Institute e pela Ânima Educação, que terá início em março de 2013.

    Mais informações
    http://www.novolider.com.br
    Tel. (11) 5105-4444

     

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