Respeito a cada um

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Adriano Vizoni
Ritzdorf, da Novartis: reunião na Alemanha, depois da Maratona de Berlim

Em pouco mais de três anos, o gerente de grupo de produtos Wagner da Costa Ritzdorf, 36 anos, adquiriu o hábito de frequentar academia, perdeu peso, passou a se alimentar melhor, começou a participar de um treino de corrida em grupo e até correu uma maratona em Berlim, na Alemanha. E tudo isso graças ao seu trabalho. Pode soar estranho à primeira vista, mas histórias como essa proliferam no ambiente de trabalho. Elas são reflexos da conscientização das empresas de que funcionário estressado, com problemas de saúde e de autoestima não produz tanto quanto aquele que está de bem com a vida. Diante do fato, programas como o incentivo à prática esportiva, a orientação nutricional e a flexibilidade de horários são alvos de ações estratégicas de RH para melhorar a saúde e, respectivamente, a qualidade de vida de seus colaboradores.

E, a julgar pelo clima em companhias que vestiram a camisa da qualidade de vida, as iniciativas vêm dando certo. Elas são responsáveis pela melhora no relacionamento entre os funcionários e na manutenção de bons índices de produtividade, além de reduzir afastamentos por estresse e custos com assistência médica. No entanto, especialistas alertam que programas que são implementados sem levar em conta o clima organizacional e a realidade dos funcionários da empresa são fadados à baixa adesão e, invariavelmente, ao cancelamento. Esse não foi o caso da farmacêutica Novartis, onde Ritzdorf trabalha. De acordo com o diretor de RH da companhia, Afonso Garcia, o foco principal do programa é harmonizar a vida pessoal e a carreira profissional . “Procuramos oferecer flexibilidade para o colaborador alcançar o equilíbrio entre as exigências do mundo do trabalho e uma vida saudável, com mais tempo para a família”, afirma.

No que tange à prática de exercícios físicos, o programa de qualidade de vida da Novartis oferece subsídio e desconto em academias de ginástica credenciadas, ginástica laboral durante o expediente, grupo de corrida, caminhada e ciclismo com acompanhamento profissional e aluguel de quadra de futebol para jogos masculinos e femininos. Com o programa, Ritzdorf comenta que consegue conciliar melhor sua agenda com a academia e o treino de corrida, do qual participa duas vezes por semana. “A Novartis nos apoia e oferece flexibilidade de horários. Se tenho alguma atividade para fazer e já são 17h30, tenho a liberdade de sair para treinar e terminar o trabalho em casa ou no dia seguinte. Libero o estresse e me sinto melhor e mais disposto”, relata. 

Outra etapa cumprida na vida do gerente de grupo de produtos, graças ao apoio da empresa, foi sua participação na Maratona de Berlim, em setembro de 2012. O executivo participaria de um congresso sobre diabetes na capital alemã na mesma época do evento esportivo. Com apoio da companhia, ele viajou dois dias antes e pôde se preparar para a corrida. “Fiquei animado ao ver que a data batia com o congresso. Tive apoio da empresa e treinei com o grupo de corrida com outros três funcionários. Pudemos participar dos dois eventos. Posso dizer que voltei com todas as metas do trabalho cumpridas, além da maratona, que foi uma marca pessoal”, relembra. 

Além do incentivo ao exercício físico, o programa de qualidade de vida da Novartis também é focado na orientação alimentar de seus colaboradores. Desde que a companhia colocou em prática o programa, o restaurante da empresa ganhou supervisão de nutricionistas que indicam as calorias e demais informações nutricionais do cardápio. “Tenho a preocupação de seguir me exercitando e ter uma alimentação saudável. Hoje, consigo ser mais regrado sem ser chato. É um prazer, vejo o resultado no meu corpo e na cabeça”, garante o gerente maratonista. 

A colega de trabalho de Ritzdorf, a consultora de comunicação Raquel Soriano, 28 anos, também destaca que o programa mudou sua vida pessoal. Incentivada pela empresa, a jovem resolveu participar, em 2012, do campeonato anual de futebol da Novartis. Ela tomou gosto pelo esporte e, hoje, se reúne todas as quartas-feiras com outras colaboradoras em uma quadra alugada pela farmacêutica. “Nunca imaginei que fosse jogar futebol. Com a demanda dos jogos, passei a fazer academia também, para fortalecer o corpo, e isso vem sendo muito positivo”, afirma.

Sexta-Feira Feliz
Um dos principais pontos do programa de qualidade de vida da Novartis é a flexibilidade de horários de trabalho. Segundo o diretor de RH, reuniões internas nunca são agendadas antes das 9 horas ou depois das 17 horas. O intuito é permitir que os funcionários possam se dedicar aos programas de atividades físicas e garantir que eles tenham mais tempo para ficar mais em casa e aproveitar os momentos com a família. A empresa também incentiva os colaboradores a elegerem um dia da semana para trabalharem em casa no esquema de home office – quando a função permite a flexibilidade – e ainda instituiu a Sexta-Feira Feliz. “Essa é uma das ações mais simples. Ela consiste em sair mais cedo na sexta-feira, a partir das 15 horas. A diretoria dá o exemplo: não agendamos reuniões para o final da tarde, para que todos possam usufruir [a sexta-feira]. Aceitamos que as pessoas têm ritmos diferentes de trabalho e essa é uma opção. Como diretores e gerentes, temos de mostrar que é possível ganhar qualidade de vida”, comenta Garcia. Ele revela sua adesão à Happy Friday. “Na sexta-feira, começo a encerrar o trabalho às 16 horas e vou pegar minhas filhas na escola.
É uma atitude para valorizar minha família.”

Ganhos corporativos
Na opinião de Afonso Garcia, os principais ganhos com o programa de qualidade de vida são diretamente relacionados ao bem-estar dos colaboradores. “Sabemos que há uma relação direta entre a prática regular de atividades físicas e a satisfação no trabalho já comprovada por inúmeras pesquisas. Quando oferecemos serviços e a possibilidade de uma vida mais saudável e equilibrada, sabemos que o ganho é do colaborador e também da empresa.” Para o diretor de RH, o foco do projeto no equilíbrio entre as responsabilidades profissionais e a qualidade da vida pessoal se reflete positivamente na dedicação ao trabalho, no clima organizacional e na atração de novos talentos para a Novartis. E os projetos na seara qualidade de vida não param por aí.

Para ainda este ano, a principal novidade é o início da construção de uma academia interna, na sede da empresa. “É positivo para a companhia ter colaboradores mais dispostos e com uma vida equilibrada. Por isso, estamos sempre pensando em novas ações para o programa: vemos que o impacto é sempre positivo”, conclui Garcia.

 

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