Gestão

Resultados ou pessoas?

Dorival Donadão
10 de Março de 2015
Dorival Donadão / Crédito: Divulgação
Dorival Donadão é consultor em gestão e desenvolvimento humano / Crédito: Divulgação

“Precisamos de muita clareza sobre a direção a seguir, mas uma enorme flexibilidade quanto aos detalhes.” A frase mencionada, de autor desconhecido, dá pistas para que empresas e seus dirigentes avancem consistentemente na reparação dos exageros cometidos em nome da chamada “cultura de resultados”. De fato, toda a formulação de um negócio minimamente estruturado pressupõe a busca de um desempenho sustentável do ponto de vista econômico-financeiro. O que ocorre, com preocupante frequência, é a elevação máxima dos decibéis que fazem o ruído das moedas caindo no cofre desses negócios, enquanto que o pulsar humano e a preocupação genuína com as pessoas ficam num distante segundo plano.

A aparente dicotomia expressa no título, resultados ou pessoas, é mesmo um falso questionamento. Não há conflito no pressuposto resultados e pessoas. Ao contrário, o líder que promove resultados sustentáveis no tempo é, quase que por decorrência natural, um aglutinador de pessoas e um promotor de significado para o trabalho.

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso!” Não se trata de poesia ou purismo fora de época. Afinal a famosa dicotomia Capita Trabalho é coisa que cheira a mofo e ninguém, em sã consciência, pode ressuscitar um discurso tão deslocado no tempo. Que o diga Thomas Piketty, a bola da vez dentre os economistas que recebem, na mesma proporção, aplausos e críticas pela defesa da tese de maior taxação dos bens de capital e fortunas, na vã tentativa de reequilibrar as desigualdades globais existentes.

A questão é mais simples: sem o engajamento verdadeiro e a motivação compartilhada entre o trabalhador e o empresário, as coisas simplesmente não andam. Ou andam num ritmo moroso, despreocupado, seguindo a lei do mínimo esforço.

Resgatar os níveis de produtividade e buscar a eficiência operacional é mais do que um mantra empresarial. É uma questão de sobrevivência tanto de um lado quanto do outro (na suposição de dois lados, empregado e empregador). Os índices médios de produtividade, na maior parte dos setores econômicos do Brasil, são mesmo dignos da lanterninha. Mas isso não significa que o espírito de Jeca Tatu tomou conta do trabalhador brasileiro. Não é tão elementar como pode parecer. Na verdade, é um conjunto de causas, descasos e terríveis incompetências do Estado e dos próprios modelos empresariais vigentes que nos levaram a este patamar de ineficiência e baixa produtividade.

Em resumo: não é o caso de disseminar uma caça às bruxas. Mas sim entender e admitir que há, de fato, clareza na direção necessária: resgatar a produtividade média do trabalho. Mas há também um detalhe vital: atenção à dignidade, ao respeito e à transparência nas relações empresas-trabalhadores. Esses são os requisitos de equilíbrio entre resultados e pessoas, garantindo vitalidade e perenidade para as organizações.

 

 

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