Rota de chegada

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Dana Hoff/Getty Images

Como algumas empresas brasileiras estão lidando com a falta de profissionais qualificados? Segundo levantamento feito pelo ManpowerGroup, uma das saídas adotadas por 14% dos empregadores brasileiros é buscar além das fronteiras do país esse pessoal para lidar com a escassez de talentos. E os profissionais mais demandados são engenheiros, executivos sêniores, gerentes, professores e técnicos, principalmente vindos dos EUA, Argentina, Alemanha, Portugal e Espanha, conforme aponta a edição de 2011 da Pesquisa de Mobilidade de Mão de Obra. Os resultados desse levantamento foram divulgados em conjunto com o estudo Borderless solutions to today´s talent mismatch, que traz conselhos sobre como os empregadores podem encontrar o talento certo em outros países, especificando tipos de políticas, estratégias público-privadas e padrões de migração que estão conduzindo a maiores oportunidades de busca em polos do mundo do talento.

Segundo a pesquisa de mobilidade de mão de obra, os empregadores do Brasil que buscam profissionais no exterior para ajudar a resolver problemas de escassez de talentos indicam que os maiores obstáculos que eles encontram são custos (26%), conhecimento sobre os processos de recrutamento (9%), barreiras da língua (9%) e processo de relocação (9%) – veja mais dados no quadro.

Estratégia de mobilidade
A força de trabalho móvel pelo mundo – a migração de talento entre e dentro das fronteiras nacionais – está crescendo rapidamente em tamanho, e os empregadores que estão adotando sofisticadas abordagens para gerenciar os desafios de oferta e demanda de talento, ao incluir uma estratégia de mobilidade de talentos no seu plano geral de combate à escassez de profissionais, posicionam-se para ganhar a crescente guerra de talentos.

O estudo ressalta que os empregadores de hoje devem colaborar com os governos e educadores na criação de mais oportunidades dinâmicas de busca de profissionais, pelo menos regionalmente. Mais oportunidades de trabalho estão surgindo em mais mercados globais, mas as leis trabalhistas são tradicionalmente locais. Como resultado, os trabalhadores que compartilham as mesmas habilidades tendem a formar um polo regional de talento. Empregadores miram estes polos regionais ao procurar por conjuntos de habilidades específicas.

“No Brasil, as leis de trabalho são mais rigorosas que em outros países e desencorajam os empregadores a buscar profissionais estrangeiros. Mas esta tem sido uma alternativa para alguns; seis em dez empregadores brasileiros enfrentam escassez de talentos. Mas enquanto o empregador brasileiro continuar encontrando dificuldades para preencher vagas em aberto por conta das carências nas áreas de educação e qualificação de profissionais, a busca de trabalhadores em outros estados e países deve interessar mais empregadores”, afirma Riccardo Barberis, CEO da Manpower Brasil. Ainda assim, 40% de organizações com sede no Brasil empregam mais de um trabalhador expatriado no nível gerencial ou superior. Empresas brasileiras são menos suscetíveis a empregar profissionais expatriados.

Dificuldadde de adaptação
Ainda que tenha havido uma mudança nos últimos anos no uso de talento expatriado para gerenciar e liderar operações em mercados emergentes, por conta da dificuldade de adaptação às culturas locais e da percepção de que há um limite para a ascensão desses profissionais, a pesquisa ManpowerGroup mostra que muitas empresas ainda utilizam essa abordagem.

“Algumas empresas multinacionais com visão de futuro estão buscando uma ´estratégia de expatriação reversa´, na qual um gerente local é colocado à frente dos negócios de uma empresa de mercados emergentes e, em seguida, direcionado para operações mais avançadas da empresa para absorver práticas. O gerente adapta qualquer prática de mercados desenvolvidos a países em desenvolvimento; tal estratégia acelera o desenvolvimento do gerente e cria uma organização mais competitiva e sustentável.”

Revista Melhor

 

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