Rota de chegada

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    Em parceria com o Instituto Alatur, o comitê de Mobilidade Corporativa da Câmara Americana de Comércio (Amcham) realizou, em junho, um debate sobre os desafios da gestão de expatriados para a mobilidade corporativa. O consenso entre os especialistas participantes do evento foi o de que o Brasil é, hoje, o principal destino de executivos na América Latina, e as empresas instaladas no país estão recebendo mais estrangeiros do que enviando brasileiros para o exterior. Responsável pela mediação do debate, o presidente do Comitê de Mobilidade Corporativa da Amcham, Ricardo Souto Ferreira, observou que o volume de expatriados tem crescido aceleradamente no Brasil. “Algumas estimativas indicam que esse número aumentou cerca de 60% em 2010, comparado ao ano anterior. É um movimento que perpassa questões econômicas e sociais e envolve cada vez mais as empresas brasileiras”, afirmou o executivo, que é, também, vice-presidente do Grupo Alatur.

    Diana Quintas, gerente sênior da Ernst & Young Terco, observou a mudança no perfil do profissional expatriado. “Se há alguns anos a maioria era formada de CEOS e sócios de empresas, hoje acompanhamos a expatriação de profissionais de todos os níveis”. Especialista em mobilidade corporativa, Fabiana Kiste ressaltou que o aprendizado do novo idioma é o desafio primordial para a adaptação. “Nos processos de expatriação que acompanhamos, o aprendizado do português é uma prioridade”. A demanda por profissionais expatriados tem suprido a carência de alguns setores que sofrem com falta de mão de obra qualificada local, como as áreas de engenharia e gás e petróleo. “Conheço uma empresa asiática que está trazendo uma quantidade enorme de engenheiros da China para o Brasil, assim como estão fazendo outras multinacionais”, citou Regina Assumpção, especialista em treinamentos em comunicação, ambiente de trabalho e diversidade cultural da Shagal.

    A falta de uma legislação específica para a situação dos expatriados ainda é motivo de preocupação. “A legislação aplicada é a legislação trabalhista comum, que remete Í  década de 50. Há um caráter muito protecionista na lei, e as mudanças realizadas tiveram foco no aumento da arrecadação pública e não em ganhos para os profissionais”, observou Alessandra Leite, advogada especializada em tributação para expatriados.

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