Saber o que se quer

22 de Abril de 2010
Frederico Porto: refletir sobre o legado

Mais do que ter as respostas certas, o futuro líder terá de saber fazer as perguntas corretas. Para isso, é preciso que essa nova geração de liderança seja bem preparada – e aqui o papel do RH será fundamental para permitir um aprendizado sofisticado. Essa é a opinião de Frederico Porto, professor convidado da Fundação Getulio Vargas e da Fundação Dom Cabral e consultor associado da DBM Brasil.

Como alinhar a visão de mundo da empresa e a dos colaboradores?
Muitos acusam as empresas de viverem os valores e a missão que estão em algum quadro, mas a pergunta que não se cala é: quantos colaboradores já pararam para pensar sobre qual o seu propósito de vida? Somente quando eu refletir sobre o meu legado posso saber o quanto desalinhado estou ou não com a organização. Somente podemos alinhar objetivos após ter alinhado o mais importante, como valores e propósito.
 
De forma geral, que tipo de visão de mundo a atual liderança corporativa tem?
Em sua grande maioria, a visão ainda é do ser humano como mais um recurso. Mas em áreas nas quais o capital intelectual é a essência do negócio, já existe uma preocupação mais complexa, que procura olhar o ser humano. Não há dúvida de que isso é uma grande evolução. Sempre gosto de lembrar que, na atualidade, existem animais que têm mais direitos que seres humanos tinham há 200 anos.
 
Quais os principais cuidados que uma empresa deve ter para formar uma geração de líderes? Qual o papel do RH nesse processo?
Um líder tem de ter em sua formação o conhecimento de três dimensões: o conhecimento de si; do outro; e do contexto (aqui, leia-se o negócio ou o mundo em que está inserido). O papel do RH é estimular esse desenvolvimento. O aprendizado deve ser sofisticado, pois cada vez mais esses líderes não terão as respostas, mas terão de saber fazer as perguntas. Para isso, eles têm de se conhecer para entender como abordam o problema. A grande questão está na maneira com a qual abordamos um problema. E como cada vez mais a resposta não estará na mão de um, o líder tem de saber criar uma sinergia da inteligência grupal. Isso pressupõe conhecer o outro, estar aberto a ele e, ao mesmo tempo, estar também atento a toda realidade que o cerca.
 
Até que ponto os valores dos líderes ajudam a atrair e reter os melhores talentos?
Para um indivíduo talentoso não vai faltar oferta de trabalho. Portanto, o dinheiro não será o único motivador – aliás, ele nunca é o único para ninguém. A retenção de talentos passa, sim, pelo alinhamento dos valores pessoais com os dos líderes e da organização. Daqui para a frente, uma empresa vai ter de se perguntar se ela quer um individuo inteiro no trabalho, por estar alinhado com os valores, ou alguém que está somente 10% presente e, por isso, produzindo muito aquém da sua capacidade.

Frederico Porto   irá proferir a palestra Liderança integral: respeitando e integrando visões de mundo, durante o 14º Congresso Mineiro de Recursos Humanos (COMRH 2010). O evento, promovido pela ABRH-MG, terá como tema central Liderança inovadora e criativa: o salto para a competitividade e será realizado entre os dias 18 e 20 de maio, no Minascentro, em Belo Horizonte (MG).

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