Sem mancadas no contracheque

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Conhecer as práticas mais comuns de remuneração em outros países é fundamental. Para as empresas brasileiras que estão a um passo da internacionalização ou que pretendem expatriar algum executivo, por exemplo, evitam-se dissabores como não saber em que circunstâncias os aumentos de salário são obrigatórios.

“É necessário entender as diferentes práticas obrigatórias e costumeiras existentes entre os países para administrar com eficácia de custos uma força de trabalho global”, conta Rebecca Powers, diretora da Mercer. “As companhias multinacionais devem, primeiramente, desenvolver uma perspectiva global e, em seguida, interpretá-la à luz das práticas e exigências salariais existentes em cada país. Isso assegura uma estratégia de remuneração global consistente e racional, que seja relevante e aplicável nos mercados locais em que operam”, acrescenta.

Para ajudar nesse processo, recentemente, a consultoria divulgou, seu guia Planos de remuneração ao redor do mundo, no qual apresenta as práticas de remuneração e as variações regulatórias em mais de 45 países. O relatório inclui práticas de remuneração, como componentes salariais típicos, e inclui pagamentos em espécie para transporte, refeições ou férias, número de salários mensais, aumentos salariais obrigatórios e frequência dos aumentos salariais. Veja a seguir algumas dessas práticas:
 
AUMENTOS SALARIAIS OBRIGATÓRIOS
Com as organizações multinacionais se empenhando em administrar os custos dos empregos globais, um fator que continua a representar um desafio são os aumentos salariais obrigatórios. “Parte do desafio de administrar com eficácia os custos de uma força de trabalho global é conciliar a estratégia de remuneração da empresa com as muitas práticas locais”, diz Rebecca. Quando as práticas de remuneração são obrigatórias, não há nada a fazer senão obedecer. Porém, quando a estratégia de remuneração de uma empresa colide com a prática local, a organização deve estudar como cada abordagem irá posicioná-la naquele mercado. “Embora muitas das vezes seja melhor adaptar-se à abordagem local, existem ocasiões em que seguir a estratégia global pode diferenciar uma empresa e torná-la especialmente atraente para os empregados mais desejáveis”, acrescenta a consultora.

Américas do Norte e do Sul
– Nessa região, a maioria dos países, incluindo o Canadá, não tem aumentos salariais obrigatórios. No Brasil, eles se tornam obrigatórios após negociação com os sindicatos da categoria ou de classe, e não de forma automática.
– Na Colômbia, os aumentos salariais são exigidos apenas para empregados que recebem salário mínimo. 
– Nos EUA, não há aumentos obrigatórios para trabalhadores não sindicalizados, embora possam ter dispositivos de aumentos em seus contratos de trabalho, não sendo, porém, exigidos pelo governo.

Europa
– Os aumentos frequentemente são ditados por convenções coletivas de trabalho. Ainda que aumentos salariais não sejam obrigatórios na Finlândia, Alemanha e Suécia, por exemplo, são constantemente incluídos nos acordos coletivos. 
– Na Turquia e na Dinamarca, são exigidos apenas nos casos em que existem forças de trabalho sindicalizadas. 
– Na Grécia, são obrigatórios apenas para os empregados que recebem salário mínimo. No Reino Unido e na Polônia, não há aumentos obrigatórios.

Ásia-Pacífico
– Nessa região, como nas Américas, não há tal obrigatoriedade na maioria dos países. Na Malásia, porém, é exigido aumento salarial para os trabalhadores sindicalizados
e de produção.
 
DIFERENÇAS NAS PRÁTICAS DE REMUNERAÇÃO
Além dos aumentos salariais obrigatórios, outras práticas de remuneração que diferem de país para país incluem a garantia de pagamentos adicionais em espécie (pagamentos aos empregados além dos salários, independentemente do desempenho), como subsídios de transporte, refeições ou férias.

Américas do Sul e do Norte
– Nessa região, existem países em que é obrigatório o pagamento de salários adicionais representados pelo pagamento de um 13o salário, adicional de férias ou pagamento de participação nos lucros. Na Argentina, a legislação exige o pagamento de um 13o salário, enquanto no Brasil é exigido que as empresas paguem um adicional de férias e um 13o salário.
– No México e em Porto Rico, os adicionais de férias são obrigatórios. Além disso, no primeiro, a participação nos lucros é obrigatória. 
– Auxílio transporte (reembolso de transporte coletivo ou ajuda de custo de automóvel) é comum no Brasil, Chile e Colômbia, mas não nos EUA ou Canadá. Auxílios-refeição são obrigatório na Venezuela. 

Europa
– Em alguns países, incluindo Itália, Portugal e Espanha, é obrigatório o pagamento de salários adicionais. Na Itália, por exemplo, quase todas as empresas pagam um 13o salário a todos os empregados, enquanto outras chegam a pagar um 14o salário. Em Portugal e na Espanha são obrigatórios, respectivamente, um 13o
e um 14o salários. 
– Na Bélgica, França e Noruega, é obrigatório auxílio-transporte. Ainda que carro de empresa seja comum em alguns países europeus, incluindo Bélgica e Irlanda, isso não é tão prevalecente na região quanto nas Américas do Norte e do Sul.

Ásia-Pacífico 
– Aqui, alguns países, incluindo Índia, Indonésia e Filipinas, exigem o pagamento de salários adicionais. Em outros, como Hong Kong, Cingapura e Taiwan, 13º ou 14º salários são comuns. Já na China e Malásia, a prática existe, porém, é menos comum. O benefício de automóvel e o auxílio de refeição são práticas comuns em muitos países asiáticos. Entretanto, essas práticas salariais não são tão prevalecentes quanto o auxílio-transporte.

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