Sem medo

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    Recente pesquisa do Datafolha (Folha de São Paulo, 23/03/2013) mostra que 75% dos empregados afirmam que “não correm o risco de ser demitidos”. Dez anos atrás, eram 55%.  Perder o emprego também não dá medo para 59%. Apenas 15% dizem que é “o que lhes dá medo”, contra 34% em 2003.

    Estamos falando, portanto, de emprego.

    Temos uma situação aparentemente aceitável, com nível de desemprego em 5/6% da PEA, o que justificaria as opiniões dos entrevistados no curtíssimo prazo.  Não podemos esquecer, entretanto, que há problemas seríssimos a nos desafiar, como:

    1. Crescimento x inflação: como a inflação está crescendo – mas não o PIB, há economistas que recomendam aumento de juros e redução de custos, o que reduziria a oferta, mas elevaria o nível de desemprego. Como disse, sem rodeios, Alexandre Schwartsmanem sua receita para afastar o dragão: A saída é frear a economia. É demitir mesmo.  As expectativas dos pesquisados pelo Datafolha sofreriam dura reversão.

    2. Os salários estão crescendo mais que a inflação e, a indústria repassa isso para seus preços, a não ser que ocorra aumento de produtividade, o que não parece ser o caso atual. Aumentá-la é projeto de longo prazo. O salário mínimo também é um indexador. Qual o espaço de absorção sem perder o controle? Inflação corrói salário.

    3. As desonerações sobre a folha propostas pelo governo (R$ 12,8 bi em 2013) impactam diferentemente a economia. Para as empresas de capital intensivo é praticamente nula, mas para aquelas em que a mão de obra chega a 70% de seus custos, o benefício é grande. Curiosamente, são aquelas de mão de obra intensiva, tipo de calçados e têxtil e as de grande capital humano, como as grandes da T.I. Não há, portanto, uma solução única para o chamado Custo Brasil. E a reforma da CLT não anda.

    4. A geração de empregos tem ocorrido principalmente na base da pirâmide, embora as empresas relatem sérias dificuldades em preencher cargos em qualquer nível. Falta conhecimento instalado. Como equilibrar habilidades e demandas num mercado que, apesar de dinâmico, cresce pouco? Uma leitura da pesquisa leva a acreditar que as pessoas estão acostumadas Í s oscilações da economia e não têm tanto medo de perder o emprego. Ou que estão iludidas com o momento.

    Um lado positivo é que as empresas estão demitindo menos, seja porque o custo da demissão é muito alto, seja porque não querem queimar seus recursos humanos esperando recuperação. Demitir para admitir mais tarde é uma prática cada vez mais contestada, o que, por certo, valoriza o capital humano.

    Os reflexos macroeconômicos no mercado de trabalho atingem pequenas e grandes empresas, cada uma Í  sua maneira. Se os profissionais de RH querem ser negociais, pensem nesse cenário e o discutam com suas partes interessadas.



     

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