Gestão

Sentido de organização

Marcelo Mariaca
11 de Fevereiro de 2009

A guerra por talentos é mais evidente em períodos econômicos positivos; no entanto, a sobrevivência em mercados cada vez mais competitivos – especialmente em crises como a atual – requer que as empresas joguem com os melhores atletas e ofereçam melhores condições para evitar a perda dessas pessoas. Um cenário como o atual, na verdade, aumenta a preocupação da empresa sobre eles e sobre a manutenção de um bom clima organizacional.

Afinal de contas, quanto vale uma equipe engajada com as metas da empresa e, sobretudo, satisfeita com o trabalho? Se os acionistas pretendem vender a organização para algum fundo de private equity ou continuar crescendo no mercado, sem perder seus talentos, terão de responder a essa pergunta.

Dirigentes de alto astral transmitem e propagam esse clima para toda a companhia, gerando bons índices de companheirismo e incentivando a multifuncionalidade. O clima de bem-estar cria confiança, inspira respeito e estimula o sentimento de camaradagem e o orgulho dos funcionários de pertencerem àquela organização. Por isso, a preocupação em garantir um bom clima organizacional é cada vez mais frequente nas grandes corporações, e deve estar na pauta de qualquer outra que esteja passando por um processo de reestruturação.

A última década, até o início da atual crise financeira, foi um período marcado pelo aumento das fusões e aquisições, que mantiveram um ritmo de crescimento alucinante até outubro de 2008, quando foi registrada uma paralisação nessas operações. Junto com essa onda vieram as reestruturações das equipes que, se mal conduzidas, comprometem a imagem da empresa e produzem efeitos negativos até para quem for demitido. Um estudo da consultoria americana Lee Hecht Harrison em meados de 2007, sobre o impacto de uma reestruturação nos ânimos de quem fica, mostra que a produtividade, a habilidade de lidar com o estresse, a confiança nos líderes e o ambiente de trabalho pioram quando esse processo não é bem conduzido. Na pesquisa, foram identificadas as medidas mais eficientes para assegurar o bem-estar de quem permanece na companhia. O resultado foi uma relação de técnicas para o gerenciamento das reestruturações, incluindo a necessidade de tornar as lideranças visíveis, manter abertos os canais de comunicação com os funcionários, gerenciar a carga de trabalho, recompensar a boa performance e dar apoio àqueles escolhidos para a demissão. Nesse último caso, uma metodologia aberta e transparente permite demitir os que tiveram os piores resultados nas avaliações de desempenho, e não aqueles que, porventura, ocupem as posições eliminadas no momento da reestruturação.

O que esse estudo mostra é que as empresas precisam planejar cuidadosamente uma reestruturação antes, durante e depois que ela aconteça. Caso contrário, o processo pode fracassar, colocando em risco o emprego de um número muito maior de pessoas e a própria saúde futura da organização. A crise atual, prevista para ser mais severa do que as anteriores, não será o fim do mundo. Para sobreviver e crescer, as empresas devem continuar apostando na inovação, motivação e tenacidade dos seus melhores talentos.

Marcelo Mariaca é presidente da Mariaca e parceiro global para o Brasil da Lee Hecht Harrison e da InterSearch Worldwide Ltd.

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