Sindicatos se renovam

Walter Barelli
18 de Maio de 2009

Os anos finais da década de 70 viram nascer o novo sindicalismo. O modelo sindical legado por Getúlio Vargas dera instrumentos legais para os golpistas de 1964 reprimirem a organização dos trabalhadores. O governo podia intervir, nomeando interventores e até cassando o registro de sindicatos. Mas, na época, não foi preciso criar nenhuma legislação específica para controlar as direções sindicais. A que existia anteriormente já era suficiente. Dessa forma, novas determinações como o fim da estabilidade aos 10 anos de serviços e as regras de arrocho dos salários foram estabelecidas com poucas manifestações. A resistência à ditadura acontecia nas bases politizadas de algumas categorias de trabalhadores, mas também eram reprimidas com prisões e demissões dos que eram identificados como “subversivos”.

Repressão, perdas salariais, eliminação dos possíveis líderes e ampla censura não conseguiram eliminar a reação dos trabalhadores em favor dos seus interesses. É explicável que os movimentos iniciais repudiavam a mediação do governo. A interlocução passou a ser feita diretamente com o empresariado, muitos destes também já participando de fóruns pela redemocratização do país. A primeira grande greve do setor automobilístico criou um conflito nas empresas multinacionais.

Concordar com as reivindicações era ir contra a legislação salarial e não se atinava sobre qual seria a reação governamental. Não atender os trabalhadores levaria a enfrentar, por prazo indeterminado, uma greve diferente, sem piquetes, sem líderes facilmente identificáveis, em que os trabalhadores simplesmente ficavam de braços cruzados diante de suas máquinas paradas. As empresas cederam, cometendo um ato de desobediência civil, rompendo-se dessa maneira a dura legislação salarial.

Essa a bela história do renascimento sindical no Brasil. O seu líder maior é o atual presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. As conquistas desse sindicato levaram-no a ser o símbolo do novo sindicalismo e berço da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Seu contraponto era, e ainda é, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, então dirigido por Joaquim dos Santos Andrade, já falecido, que originou tanto a CGT quanto a Força Sindical.

Os seus sucessores são lideranças que viveram grandes momentos da história das relações de trabalho. Foram presidentes do sindicato do ABC e também da CUT: Jair Meneghelli, hoje presidente do Sesi; Vicentinho, hoje deputado federal; Marinho, ex-ministro de Estado e atual prefeito de São Bernardo do Campo. Do sindicato de São Paulo e da Força Sindical saíram Medeiros, hoje secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, e Paulinho, atual deputado federal.

Neste momento, esses dois sindicatos têm presidentes recém-eleitos: Sérgio Nobre, no ABC, e Miguel Torres, em São Paulo. Curiosamente, ambos iniciaram sua vida sindical na década de 80 e estão sendo testados por uma crise desafiadora. O futuro dirá se obterão o mesmo sucesso que seus antecessores, dirigindo entidades históricas no campo das relações trabalhistas.

Walter Barelli , economista, professor da Unicamp e conselheiro da ABRH-SP

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