Soma de esforços

Leyla Nascimento
29 de outubro de 2013

Vai chegando o momento em que empresas e profissionais iniciam as tradicionais reflexões para o próximo ano. Orçamentos feitos, planejamentos passados a limpo, propostas de metas, conquistas traçadas, sonhos a saírem do papel: esses são alguns dos inúmeros itens que farão parte de discussões ao longo de 2013, paralelamente a tantos outros temas que, entra ano e sai ano, ainda figuram na lista dos com soluções pendentes. Um desses temas é o custo do trabalho no Brasil.

Ao longo de muitos anos, o mercado vem se balizando a partir dos estudos do professor José Pastore sobre quanto, realmente, custa um trabalhador: nos idos de 1996, essa conta chegava a 102% do salário. Ou seja, o custo desse profissional era praticamente o dobro do que ele recebia da companhia, graças ao peso dos encargos sociais sobre o salário por hora trabalhada, recebido pelos trabalhadores. Na edição deste ano do CONARH ABRH, trouxemos esse tema sob a ótica da competitividade. Em uma das manhãs do evento, foram apresentados os dados de uma recente pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Desse levantamento, fomos informados que o custo de um trabalhador pode ser de 2,83 vezes o seu salário de carteira – aumento de 183%, no caso de um vínculo com doze meses de duração. Ele cairia para 2,55 vezes se o vínculo se estender por cinco anos.

A equipe responsável por esses dados levara em conta nesses cálculos um amplo leque de custos como: vale alimentação, auxílio creche, licença maternidade, quota de deficientes, quota de aprendizes e obrigações de segurança, treinamentos de reposições, ginástica laboral e treinamentos diversos, despesas com administração de pessoal, manutenção de refeitório, festas e eventos motivacionais e custos do tempo não trabalhado, entre outros. Essa conta, tão amarga ainda para um país que precisa melhorar a competitividade e a produtividade, merece toda a atenção da área de recursos humanos e não apenas por relacionar-se diretamente com ela, mas pelo fato de o gestor de RH ter o papel de propor ou buscar alternativas que diminuam esse custo para o bem dos profissionais e das próprias empresas. Deixar a discussão solta em 2013, véspera de grandes eventos que aqui aportarão no ano seguinte, é deixar de lado a própria razão de ser de recursos humanos. Por essa razão, nesta edição de MELHOR retomamos esse tema tão pertinente e convidamos todos os profissionais de recursos humanos a que não abandonem essas reflexões. Assim poderemos um dia, e talvez em breve, dividindo conhecimentos, diminuir esse valor e multiplicar nossa competitividade.

É da soma de esforços que necessitamos.

 

 

 

Leyla Nascimento
Presidente da ABRH – Nacional

Reprodução

 

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