Sustentabilidade: miragem ou realidade?

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Françoise Trapenard / Crédito: Divulgação
Françoise Trapenard é diretora de desenvolvimento sustentável da ABRH Brasil / Crédito: Divulgação

Em tempos de crise de abastecimento de água na região mais produtiva do país, falar sobre sustentabilidade parece mais necessário do que nunca. Àqueles que pensavam que a falta de água seria ou uma lenda ou um nefasto legado para gerações futuras só resta a triste constatação de que o futuro chegou mais rapidamente do que o esperado.

Sustentável vem do latim sustenere, capacidade de manter-se por longos períodos. Esse conceito entrou em nossos vocabulários quando começou a ficar claro que, ao contrário do que afirmavam os pensadores do Positivismo, a natureza não era uma fonte inesgotável de recursos a serviço do homem.

Desse início, em meados da década de 1960, para cá, tal ideia só foi se ampliando e entrando em múltiplos campos. Hoje, sustentabilidade tornou-se um novo valor, um norte a se alcançar como paradigma de convivência entre seres humanos, o meio ambiente e as corporações.

Em sua dimensão concreta, a sustentabilidade faz com que surjam novas estratégias corporativas, novos processos produtivos, novas demandas do consumidor e novas legislações a cada dia. Ainda assim, os céticos podem contra-argumentar, reafirmando o abismo existente para a emergência de um desenvolvimento econômico sustentável.

Ou seja, podemos ver o caminho percorrido por dois ângulos: o copo meio vazio mostra o quanto ainda estamos distantes de uma mudança relevante no sistema. O modelo mais recorrente ainda é o do lucro a qualquer preço no campo dos negócios, e do consumismo cego no campo dos indivíduos, um alimentando o outro em um círculo vicioso que por vezes parece impossível de ser rompido.

Também podemos olhar o copo meio cheio e ver o quanto se andou nesse processo, com grandes corporações em meio a mudanças complexas em suas estratégias para atingir resultados econômicos, sociais e humanos, sem falar das inúmeras empresas que já nascem com esse modelo de negócios. Sem precisar alterar nada, elas já são a expressão do que se costuma chamar Nova Economia.

Agora, a sustentabilidade não seria um norte, um modelo ideal, se não carregasse também um quê de miragem, de utopia. E esse ideal vem do objetivo último de um equilíbrio entre competição e cooperação, entre resultados e bem comum.

Temos dificuldade em acreditar no equilíbrio entre ambos porque valorizamos mais nosso lado competitivo do que o cooperativo. Gostamos dos vencedores, dos mais bonitos, dos mais bem-sucedidos e associamos tudo isso com a capacidade de ganhar, não com a de fazer junto.

Ainda assim, a cooperação, fruto de conversas e confiança, é a plataforma sobre a qual o benefício coletivo e duradouro se consolida. Na jornada para a sustentabilidade, o grande desafio é revisitar a visão que temos de nós mesmos e o quanto o capitalismo enfatizou o nosso lado competitivo apenas, para darmos a mesma força e o mesmo valor percebido para nosso lado cooperativo.

Ter consciência desse imperativo é uma coisa. Mudar a nossa atitude individual e coletivamente é outra bem diferente. Essa contradição entre conhecimento e ação faz parte da natureza humana. Por isso, os avanços não são lineares nem constantes. Mas, ainda assim, estão, pouco a pouco, consolidando novas regras do jogo econômico e social entre nós.

*Françoise Trapenard é diretora de desenvolvimento sustentável da ABRH-Brasil.


O RH e as pessoas com deficiência

Gap
O estudo também mostrou a diferença existente entre a percepção do RH e das PcDs, quando é feita uma comparação com os resultados de outra pesquisa do iSocial, esta feita em 2013, com PcDs. Perguntados sobre as principais barreiras para a contratação de PcDs, a questão da acessibilidade foi citada por 65% dos RHs, mas esse mesmo item foi citado somente por 21% das PcDs. Para elas, a principal dificuldade (46%) é a qualidade ruim das vagas, item escolhido por apenas 15% dos RHs.

Uma pesquisa realizada pela consultoria i.Social, em parceria com a Catho e com apoio da ABRH-Nacional, entrevistou 2.949 profissionais de RH para saber suas expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência (PcDs) no mercado de trabalho.

Entre os resultados, o levantamento deu alguns alertas importantes. Um deles é que, para 65% dos participantes, os gestores apresentam resistência em contratar ou mesmo entrevistar uma PcD. Outro dado: 81% disseram que a contratação de PcDs acontece para cumprir a Lei de Cotas. Apenas 3% contratam porque valorizam a diversidade; 4% porque acreditam no seu potencial; e 12% por causa do perfil do candidato, independentemente de cota ou deficiência.

A boa notícia fica por conta da queda do mito de que as contratações não se efetuam por conta da falta de qualificação dessa população. De acordo com 54% dos RHs ouvidos, pessoas com deficiência são tão ou mais qualificadas do que as que não possuem deficiência; para 31%, a qualificação está um pouco abaixo da média; e apenas 15% acreditam que está muito abaixo da média.

Entretanto, quando questionados sobre o que pode estimular a contratação de PcDs, em uma pergunta de múltiplas escolhas, os entrevistados elegeram, em primeiro lugar, os incentivos para capacitação desses profissionais (66%), seguidos de campanhas de conscientização (64%).

 

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