Talento: o legado de Niemeyer

12 de Fevereiro de 2014

Há uma queixa geral quanto Í  dificuldade de atrair e preservar talentos, mas o que se tem feito preventivamente? Não é fácil. O talento que você admitiu ontem talvez não seja o mesmo que você precisará amanhã. Ao mesmo tempo, as empresas precisam manter um estoque de talentos para os desafios que nem sabem bem quais serão. No meio disso, a guerra por talentos. A expressão cunhada pela McKinsey é mesmo bélica, onde os fins Í s vezes justificam os meios.

Mas, se olharmos para a pessoa profissional que está no meio desse tiroteio, o que podemos imaginar quanto ao seu preparo, motivações, expectativas e competências?

O poeta Ferreira Gullar diz: uma coisa é a qualidade com a qual você nasce e outra é a capacidade de transformar aquilo em realidade. Porque talento é fundamental, mas não é suficiente. Toca aí em dois pontos: qualidade e capacidade, ou subjetividade e objetividade. A vontade de se inventar: mesmo que tenha nascido com talento de romancista, se não tentar escrever, se não se dedicar e se entregar, não vai conseguir fazer um bom romance.

Cristovão Buarque acrescentou a dimensão coletiva ao pensar sobre o talento de Niemeyer: Mas, lá na base, nada teria acontecido se ele não tivesse aprendido a ler, escrever, contar e calcular. Sem escola e sem professores ao longo da vida, o talento de Niemeyer tão teria aflorado. Encerra, então, a homenagem ao arquiteto com uma frase definitiva: A melhor reverência a Niemeyer é lembrar os outros Niemeyers que não afloraram.

Talento, portanto, parte da matéria prima disponível para transformá-la em algo que transforma a existência. Em nosso meio, as pessoas não podem ficar esperando que alguém descubra seu talento e as organizações precisam revolucionar a descoberta e o aproveitamento massivo dos talentos com quem convivem.

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