Técnica alinhada Í s demandas

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Paulo Lemos / Crédito: Divulgação
Paulo Lemos, da FGV: boa gestão de pessoas da liderança / Crédito: Divulgação

O mercado exige dos líderes um equilíbrio entre as competências técnicas e as comportamentais. Além disso, as organizações esperam dos gestores uma atuação com orientação para além do lucro. A mensagem das empresas é que a liderança deve entregar resultados, observando questões como gestão de pessoas, sustentabilidade do negócio e responsabilidade social.

Para cumprir esse desafio, a educação torna-se uma aliada indispensável aos que se dispõem a seguir nesta jornada. Mas não é nada fácil decidir o foco em 2015 com a gama de cursos hoje disponíveis no mercado. Perguntas como — o que devo estudar? Em qual instituição devo me matricular? — rondam não só as mentes dos profissionais, mas também as da área de Recursos Humanos, que precisa conduzir as verbas para educação corporativa pautadas na expressão “melhor custo-benefício”.

Pelo lado das instituições educacionais a tarefa também não é das mais fáceis, como apurou a reportagem da MELHOR em entrevista com os principais players da educação corporativa no país. De acordo com as instituições, é um desafio alinhar as demandas do mercado a um cenário de constantes mudanças.

Alinhados ao mercado
Na Fundação Getulio Vargas, a aposta é na formação voltada às pessoas. Paulo Lemos, diretor adjunto da FGV Management, afirma que, em 2015, a Fundação oferecerá MBA em gestão estratégica e econômica de recursos humanos. Outro curso que busca atrair a atenção dos executivos é o master em liderança e gestão de pessoas. “É importante que haja uma boa gestão feita pelo líder”, afirma, referindo-se aos aspectos sociais da liderança.

E em abril do próximo ano a FGV lança o MBA em economia e gestão das relações governamentais. “O governo tem presença e atuação importantes na economia brasileira, portanto, as empresas precisam saber como lidar com o setor público”, destaca Lemos.

Já no Centro Universitário Senac a aposta é em temas condizentes com os atuais problemas de metrópoles brasileiras, tais como mobilidade urbana e gestão hídrica. “Colocamos à disposição, em 2015, o curso de design de mobilidade urbana com objetivo de formar um profissional capaz de propor e desenvolver diferentes soluções para mobilidade, como ciclovias, por exemplo. Para este curso não há pré-requisito de formação anterior”, explica André Mendonça, coordenador de pós e extensão do Centro Universitário Senac.

As outras formações do Centro para 2015 são: direito cultural e do entretenimento, gestão de recursos hídricos, perícia ambiental, fotografia como arte contemporânea, tv digital: conteúdo, tecnologias e operações, marketing digital e e-commerce e desenvolvimento e produção de cosméticos.

Para o coordenador, embora essas temáticas modernas tenham sido incluídas na oferta, a grande demanda na pós-graduação continua voltada à área de gestão. “É nítido que essa é a área que tem maior demanda no mercado de trabalho”, destaca.

Equilíbrio de competências
O equilíbrio entre conhecimento técnico e comportamental é observado na Fundação Dom Cabral (FDC) como tendência. Para Silene Magalhães, gerente coordenadora dos programas de graduação e especialização da FDC, antes o foco dos alunos era centrado na questão técnica e, sobretudo, em obter um currículo mais atraente. “Hoje, os profissionais continuam buscando esse diferencial no currículo, mas, além disso, eles também querem saber como usar a técnica a seu favor, como perceber a questão gerencial e lidar com os desafios e a pressão no ambiente de trabalho”, explica.

Para ela, as formações que auxiliam os profissionais a atuarem com um olhar sistêmico têm sido mais procuradas pelos alunos. A executiva explica que esses cursos são elaborados para formar líderes que enxergam a tomada de decisões como um todo, ao invés de uma postura embasada em uma visão fragmentada em departamentos.

Nesta toada, em São Paulo, a FDC oferece a formação do líder sustentável. E no Rio de Janeiro, a Fundação dispõe o curso de gestão de negócios com essência no desenvolvimento de uma mentalidade empreendedora. “Não é uma formação focada apenas em quem tem intenção de abrir um negócio, mas de desenvolver a potencialidade, o mindset, de gerar uma ideia, de criar um empreendimento novo e, sobretudo, fazer com que ele gere resultados”, informa Silene.

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Silene Magalhães / Crédito: Divulgação
Silene Magalhães, da FDC: equilíbrio entre o conhecimento técnico e comportamental / Crédito: Divulgação

Questões sociais
“As empresas terão de levar a questão da sustentabilidade cada vez mais para dentro de suas estratégias”, salienta Leandro Morilhas, diretor institucional da FIA. Seguindo essa ideia, a FIA possui cursos como gestão ambiental e responsabilidade social corporativa. Ademais, informa o diretor, disciplinas que seguem esta tendência também estão sendo incluídas em outros programas oferecidos pela instituição.

Outra opção da instituição é o ensino a distância, que facilita a vida de quem está longe da capital. No EAD os profissionais têm como alternativa a área de inovação, agronegócio, finanças ou marketing esportivo.

Com relação a esta última formação, Leandro Morilhas, da FIA esclarece: “Percebemos que é uma tendência de mercado, em função dos grandes eventos esportivos, daí o surgimento de oportunidades de negócios associadas a eles, na própria gestão de projetos e turismo”.

Recuperação
De maneira geral, as instituições vêm se preparando para a retomada das matrículas. A temporada 2014 não foi lá muito boa para o setor. Isto porque o contexto envolveu em um mesmo ano a Copa do Mundo e as eleições presidenciais no Brasil.

Leandro Morilhas / Crédito: Divulgação
Leandro Morilhas, da FIA: O ano de 2014 foi turbulento para os negócios / Crédito: Divulgação

De acordo com os especialistas da área, pelo fato de muitas empresas optarem por subsidiar a formação de seus profissionais, 2014 tornou-se um ano especialmente difícil. A instabilidade econômica provocada pelo período eleitoral acabou deixando as empresas receosas quanto a assumir investimentos antes da definição dos rumos da política e da economia.

“O ano de 2014 foi atípico para a área de pós-graduação. Quando o carnaval cai em março, já é normalmente difícil porque a decisão acontece após esse feriado, contudo, o que agravou ainda mais a situação foi a realização da Copa do Mundo, seguida das eleições”, acredita Mendonça, do Senac.

A FIA teve a mesma percepção. Para Morilhas, o ano de 2014 foi bastante turbulento. A Copa do Mundo e as eleições afetaram a economia, e, consequentemente, os investimentos empresariais em educação corporativa. “Tenho colegas diretores em outras escolas, e concordamos que neste ano houve um certo pé no freio quanto à educação”, analisa.

Por outro lado, a perspectiva de retomada aparece com força. O executivo do Senac afirma que com a definição do governo já há uma melhora na procura. “Será um ano melhor do que 2014”, sentencia.

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