Ter quem ajude

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Daniella, da Chemtech: um bom mentor deve entender de gestão de pessoas

Quando surge um problema que pode afetar o desempenho profissional de um funcionário da empresa, a quem ele costuma recorrer? Na Chemtech, empresa de consultoria e prestação de serviços em engenharia e TI, o funcionário é auxiliado por um mentor, graças a um programa de mentorado criado a partir da sugestão dos próprios colaboradores, que procuravam outros profissionais na empresa em quem se espelhar.

Informalmente, o programa se desenvolveu e cresceu. O resultado foi tão positivo que, hoje, a equipe de recursos humanos da Chemtech valoriza a iniciativa, organiza o projeto e ajuda os funcionários a escolherem seus mentores.

Tudo para que o mentor ajude o mentorado a desenvolver e a aprimorar as cinco principais competências valorizadas pela empresa: espírito chemtechiano; capacidade profissional; organização e planejamento; gestão de negócios; e gestão de pessoas.

Atualmente, a empresa possui entre 50 mentores capacitados e mais de 400 mentorados em todos os escritórios. O resultado dessa prática é uma integração ainda maior entre os funcionários e a possibilidade de um acompanhamento personalizado do desenvolvimento profissional de cada colaborador, por meio da troca de experiência entre os mentores e mentorados.

Quando participam do curso de integração, realizado para ambientar os novos funcionários, os chemtechianos [como são chamados os funcionários] recém-chegados recebem um guia do mentorado, com instruções sobre o programa. A partir do momento em que o funcionário sentir-se à vontade na companhia e seguro o suficiente para fazer a escolha, deve sugerir ao departamento de recursos humanos três profissionais, dos quais um deles se tornará o seu mentor, alguém disposto a ajudar e a transmitir experiência.

Segundo Daniella Gallo, gerente de recursos humanos da Chemtech, as principais competências para um bom mentor são gestão de pessoas, capacidade profissional e espírito chemtechiano. “Um bom mentor deve ser um bom ouvinte e saber dar feedback de forma adequada e empática; deve ter uma experiência relevante, ser um profissional competente e ético; e deve compartilhar dos valores da empresa, como integridade, comprometimento, confiança, qualidade, transparência, entusiasmo e cidadania”, explica.

Para a escolha do mentor, há um perfil recomendado: ser necessariamente um profissional da Chemtech; ter, no mínimo, um ano de empresa; possuir habilidade de relacionamento; e ser alguém com quem o mentorado tenha proximidade para falar de assuntos pessoais. Daniella afirma que a empresa aconselha, ainda, que o mentor não seja o líder direto do mentorado, pois pode haver inibição ao falar de problemas relacionados ao trabalho.

Depois da escolha, os dois profissionais fazem encontros periódicos e informais. “O mentor pode orientar o mentorado quanto a qualquer insatisfação com a empresa e poderá auxiliá-lo a compreender e solucionar problemas, visando sempre o desenvolvimento de carreira do mentorado na Chemtech”, explica Daniella. O mentor realiza, ainda, periodicamente, uma avaliação sobre o desenvolvimento do seu mentorado, relatando ao RH possíveis dúvidas e questões que julgar pertinentes, como a frequência dos encontros e o andamento do programa de forma geral.

Desafios
Aldo Kenji Miyauchi é mentor de cinco funcionários da Chemtech. Ele conta que os encontros são bem informais e que, nos bate-papos, ele procura orientar os recém-chegados para proporcionar mais segurança na empresa. “A Chemtech é uma empresa de jovens. Às vezes, quando encontram problemas, eles precisam de suporte adicional. Acredito que a iniciativa é importante, pois mostra que existe ajuda e orientação e não só cobrança por resultados”, explica.

Miyauchi propõe desafios aos mentorados, quando percebe que eles estão entediados realizando tarefas repetitivas. O resultado, segundo ele, é uma clara mudança, pois os funcionários ficam mais empolgados. Ele afirma, ainda, que aprende muito com a experiência de ser um mentor. “Sou formado em engenharia e não em psicologia. Às vezes, me sinto inseguro, sem saber se minhas dicas são as melhores. Não é somente o mentorado que aprende. A responsabilidade é grande, pois aquilo que eu falo impacta bastante no comportamento e na vida das outras pessoas. Procuro passar algumas dicas de postura comportamental, os desafios que o jovem encontrará na Chemtech e de que forma eles podem enfrentar seus problemas”, revela.

E por falar em mentor…

… qual a diferença dele com o coach?

Ainda são poucas as pessoas que costumam contar com o apoio de um mentor, embora as contribuições dele sejam muitas, de acordo com Rodrigo Soares, líder das divisões de negócios Hays Procurement e Hays Logistics. “Por seu exemplo, passado profissional, disponibilidade e credibilidade no mercado, o mentor ajuda um indivíduo nas decisões sobre sua carreira. É ele quem guia e estimula a reflexão e a ação de uma pessoa para que ela alcance resultados superiores, tanto na vida pessoal quanto profissional”, diz Soares.

Ele reforça que o mentor não precisa necessariamente atuar no mesmo setor em que o profissional atua ou possuir experiência prévia no mesmo mercado. Ele é, por meio de realizações quantitativas e qualitativas, uma referência no seu setor de atuação. “O que enriquece a relação com o mentor é justamente a diversidade, a troca de experiências, de exemplos vividos e situações enfrentadas”, afirma. “E essa relação é uma atividade de longo prazo, focada no acompanhamento holístico de uma carreira inteira.”

Soares ressalta que há diferenças entre as funções e contribuições de um mentor e as de um profissional de coaching. A identificação e escolha de um mentor parte de maneira proativa do profissional, que decide quando e com quem manter essa relação. Já no caso do coaching, segundo Soares, a relação é mais distante e, embora o profissional possa buscar por conta própria esse apoio, às vezes pode ser imposto pela empresa na qual o profissional atua. “Outro aspecto importante que diferencia um e outro é o tempo de duração e o tipo de vínculo que se forma em cada um dos casos. Em coaching, o relacionamento é mais curto, e até por isso o vínculo é superficial. Já no caso do mentor, por ser algo perene, cria relacionamentos mais duradouros”, acrescenta.

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