Terapia da prancha

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Goecks, da Yenzah Cosméticos: encontrou no surfe um dos caminhos para mudar de vida


Workholic e sem tempo para praticar esportes regularmente. Diretor comercial em uma grande empresa, o executivo vivia em aviões, hotéis e reuniões. Essa era a realidade de Rodrigo Goecks que, com 35 anos de idade, via seu peso afastar-se do ideal ao mesmo tempo em que se sentia mais e mais cansado e estressado. Apesar de ter alcançado um importante cargo de direção e uma boa remuneração relativamente jovem, não se sentia feliz na vida profissional nem na pessoal. “Queria mudar totalmente de vida. E encontrei no surfe um dos caminhos para tangibilizar esse desejo”, conta. Foi quando o executivo pediu demissão, se divorciou e foi morar na Praia da Macumba, o berço do longboard no Rio de Janeiro. “Também voltei para o mestrado que havia abandonado por falta de tempo e comecei a trabalhar com consultoria. O surfe passou a fazer parte da minha vida desde então”, enfatiza Goecks.

O trabalho de consultoria começou a dar certo e o surfe passou a ser uma rotina na vida do executivo. De início, Goecks reservou as terças-feiras para a prática do esporte, depois passou a realizar a atividade em dois dias e, em um ano e meio, já surfava quatro dias na semana. “Comecei a recusar clientes, pois achava importante terminar esse ciclo de três anos que me propus viver. Surfava, dava aulas, fazia consultoria e ainda estudava! Um complementava o outro”, conta. Nesse período, ele conta que realizou quatro grandes sonhos: além de aprender a surfar, foi consultor, terminou o mestrado e começou um projeto social  (que existe até hoje). Atualmente, o executivo é sócio-diretor da Yenzah Cosméticos, mas não deixou para trás o esporte que o fez mudar de vida. “Hoje, como meu tempo é mais curto, as dificuldades são inúmeras, mas procuro me programar para surfar como se fosse uma seção de terapia – e, de certa forma, é (risos)”


Superando o preconceito
Confesso que tinha uma visão um pouco preconceituosa do surfe. Achava que o surfista era meio “bicho grilo”. Mas, na verdade, conheci pessoas espetaculares, aprendi muito, e hoje surfo sozinho ou com amigos. Recentemente, fui ao Peru e tive a oportunidade de ver, no hotel em que fiquei, vários pais e filhos viajando juntos para surfar. Uma relação espetacular construída pelo esporte em comum. Tive de trazer isso para minha vida. Hoje, meu filho de três anos de idade sobe na prancha de stand up comigo [modalidade na qual o praticante fica em pé na prancha e utiliza remos], meu próximo sonho é que ele cresça logo para surfarmos juntos. O surfe para mim é um relaxamento, uma terapia, uma forma de me conectar com a natureza e o mundo que nos cerca. Não participo de campeonatos, pois acredito que o mundo empresarial já é cheio de competições – quero cooperação, comunhão, coligação.


Aprendizado para a vida
O surfe chegou em minha vida junto com uma nova fase. Foi um período de muito crescimento, maturidade. Hoje, entendo que evoluí (e continuo evoluindo) na maneira como tomo minhas decisões, na capacidade de parar para pensar e não tomar atitudes precipitadas. Para minha vida pessoal, o surfe trouxe inúmeros benefícios, como qualidade de vida, alegria, relaxamento, saúde, harmonia, autoconhecimento e conexão com meu filho. E para a vida profissional, trouxe paciência, principalmente. Aprendi que não adianta ficar remando feito um louco, é preciso se posicionar bem e esperar a onda vir. Esse é o grande barato, ficar lá, esperando, a “sua” onda vai chegar. Não adianta ficar irritado, ali no mar, ou na vida como um todo, você depende da natureza, e quanto mais relaxado estiver, melhor.


Equilíbrio e produtividade
Na empresa, informalmente, buscamos incentivar uma vida saudável por meio de diálogos e feedback. Muitas vezes, entendemos que atividades extraprofissionais são “tomadoras de tempo”. Mas, ao contrário, elas nos ajudam a aprimorar habilidades e nos capacitam para administrarmos e gerenciarmos melhor nossa atividade profissional. O resultado é ganho em produtividade. Nós não estamos acostumados a pensar em produtividade no trabalho. Li recentemente uma reportagem sobre uma pesquisa que identificou que o brasileiro é cinco vezes menos produtivo que o americano, por inúmeras razões, inclusive pela infraestrutura do país, questões que estão fora do nosso alcance. Contudo, pensar em produtividade é fundamental. Hoje, com a quantidade de e-mails e redes sociais que temos, se não formos produtivos, não daremos conta de tudo. O surfe me dá equilíbrio e me ajuda a administrar melhor meu tempo e minha vida. Hoje em dia, me considero muito mais produtivo.

Acredito que é uma questão de evolução. Essa é a palavra. Como no esporte, na vida existimos para evoluir. Evoluir como profissional, como pessoa, como marido, pai, amigo. Estamos nessa vida para sairmos melhor do que entramos. Acredito que um esporte, principalmente um esporte que tenha link com a natureza, nos ajuda a chegar a um equilíbrio importante para que possamos ter autoconhecimento e evoluir.

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