Gestão
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Liderança

Caminhos mortais

Falta de autoconhecimento, excesso de arrogância e pouca prática em gestão de pessoas são alguns dos principais passos que levam um líder ao fracasso

Natalia Gómez


Cleo Wolff: o líder do futuro não é o que sabe tudo, mas o que sabe perguntar o que desconhece

Um chefe que se julga superior aos seus liderados, não oferece condições para o desenvolvimento dos outros e não consegue perceber seu comportamento equivocado é a combinação perfeita para que muitas pessoas deixem as empresas em que trabalham. Quando, na verdade, estão abandonando os seus líderes. Infelizmente, situações como essas não são raras no mundo corporativo. Existem muitos motivos que levam os profissionais a querer distância dos seus chefes, e o mais comum deles é a incapacidade ou a falta de empenho do líder em construir um bom relacionamento com sua equipe. Mais preocupados com os resultados do que com a forma de atingi-los, esses gestores falham na criação de um ambiente colaborativo.

Segundo uma pesquisa divulgada pela consultoria organizacional Right Management no ano passado, esse é o principal fator que leva os líderes ao fracasso. A pesquisa coletou dados com 1.439 CEOs e profissionais de recursos humanos de 707 organizações de vários países em parceria com a empresa de pesquisa Chally Group. Dentro deste universo, 40% apontaram o mau relacionamento como maior falha da liderança. O segundo fator responsável pelo fracasso, segundo 26% dos entrevistados, é a falta de identificação dos líderes com a cultura da empresa. Entre os fatores que levam os gestores ao sucesso estão: a adaptação aos valores e cultura da empresa (68%), seguida por habilidades interpessoais (66%), motivação para liderar (62%) e experiência profissional anterior (57%).

Mau relacionamento
De acordo com a diretora de Talent Management da Right, Márcia Palmeira, a dificuldade em criar um bom relacionamento com a equipe muitas vezes ocorre porque o líder vem de uma área técnica e não tem o conhecimento necessário em gestão. Nesses casos, os profissionais conhecem muito bem a operação e os processos, mas não estão aptos para lidar com pessoas. "Poucos profissionais têm esse dom intuitivamente. Por isso, é importante que a empresa faça essa preparação", explica. A área de recursos humanos pode ajudar muito nessa questão, criando um plano de desenvolvimento para as pessoas que migram de posições técnicas para cargos de liderança. Márcia explica que as aptidões necessárias para liderança são muito diferentes das exigidas para o profissional da operação. "Como líder, a pessoa dependerá de outras para executar o trabalho e precisará construir um relacionamento e uma boa comunicação. Não basta ser um exemplo de realização", diz.

A especialista destaca que o fracasso dos líderes muitas vezes é causado pelo desconhecimento de que existem ferramentas de gestão que facilitam o trabalho, como metodologias e processos que podem ser ensinados por meio de treinamentos e coaching. "O erro da liderança nem sempre é causado por arrogância, mas por desconhecimento, e por isso os líderes precisam ser preparados."Essa preparação depende de dois outros pontos: autoconhecimento e aprendizado sobre a cultura da organização. O autoconhecimento permitirá que o líder reconheça qual é o seu perfil e perceba quais são os pontos a serem trabalhados. Ter uma visão clara sobre si mesmo é a chave para tornar-se um bom líder. Isso significa ter capacidade de reconhecer seus pontos fortes, suas fraquezas e seus limites. A cultura organizacional guiará o profissional nesse sentido, apontando qual é o padrão de comportamento desejado dentro da organização.

Outra dificuldade que permeia as relações entre líder e liderados é o excesso de autoritarismo. Em países latino-americanos, como é o caso do Brasil, esse traço é ainda muito marcante, segundo a consultora Betânia Tanure. Em uma escala de zero a 100, o Brasil tem nota 75 nesse quesito, o que é considerado elevado. "A liderança deve ser um exercício diário de humildade, e é importante deixar a hierarquia de lado", afirma.  De acordo com a especialista, um bom líder é seguido espontaneamente pelos seus liderados, e não por obrigação. Essa demanda é ainda mais forte com a entrada das novas gerações no mercado de trabalho, pois as pessoas querem ter mais voz ativa dentro das organizações. Para atingir esse resultado, é preciso que o corpo diretivo e o gerencial da empresa tenham como objetivo combater o autoritarismo, que é um traço inercial da cultura brasileira.

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21/05/2013

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