The book is not on the table

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Reprodução

Com a proximidade da Copa e das Olimpíadas no Brasil, os problemas de logística e infraestrutura não são os únicos motivos de preocupação para as organizações que atuam no país. Uma pergunta fundamental é: teremos profissionais preparados para se comunicar com os estrangeiros? Para garantir uma resposta positiva, empresas estão buscando parcerias com escolas de idioma e a demanda por cursos in company de inglês vem aumentando de um ano para cá. No Brasas, que possui unidades no eixo Rio-São Paulo e em mais sete estados, a procura por programas in company cresceu cerca de 30% nos últimos 12 meses – as contratantes em sua maioria são companhias que atuam nos setores de hotelaria, esporte e gestão de eventos. “Essa modalidade de curso oferece flexibilidade, pois pode ser realizada dentro da própria empresa, otimizando o tempo dos participantes, e é elaborada a partir de um vocabulário específico do mercado em que a organização está inserida, o que garante um aproveitamento ainda maior dos alunos”, explica o diretor do Brasas, Alexander Vieira. Entre os formatos mais procurados pelos clientes corporativos do Brasas está o curso de imersão – cujo aumento foi de 100% no último ano -, no qual os profissionais assistem a aulas diárias, de segunda a sexta-feira, com duração de três horas, nos meses de janeiro e julho. “Esse tipo de programa permite uma total imersão no idioma fundamental para quem não se sente seguro no uso da língua inglesa em sua rotina de trabalho.” Na Companhia de Idiomas, empresa especializada em soluções para a área de RH, a média do faturamento do último trimestre já superou em 10,2% a média do primeiro semestre de 2012.

Entre os seus clientes, estão as redes de restaurante Ráscal e Galeto´´s, assim como o Grupo Transamérica de hotéis e flats. “Esses programas são realizados no ambiente do cliente, já que são de inglês fundamental, ou seja, de capacitação para que os profissionais como garçons, copeiras e atendentes consigam se comunicar em inglês no dia a dia, explicando o cardápio ou resolvendo problemas dos hóspedes, por exemplo”, destaca a sócia-diretora, Rosangela Souza.

Conteúdo customizável
Além da flexibilidade, Rosangela cita como benefícios de um curso de idioma in company a construção do conteúdo de acordo com a necessidade e as metas de cada cliente. “Quando o curso é realizado em uma escola, cada profissional vai para uma unidade e é encaixado em cursos com alunos de outras empresas, com os mais variados interesses e metas, o que favorece a dispersão”, afirma. “Em um curso in company, a empresa também conta com a vantagem de ter um professor cujo perfil é adequado para os seus profissionais. Por exemplo, o professor que dá aula para o presidente de uma multinacional pode ter competências e conhecimentos diferentes de um professor que dá aula para os garçons de um restaurante.”

Há cerca de quatro anos, a rede de hotéis Windsor, que atua no Rio de Janeiro, é um exemplo de organização que vem investindo no aprimoramento dos seus funcionários em idiomas, principalmente na língua inglesa. Para isso, começou promovendo turmas in company, depois estendeu o investimento para convênios com escolas e, mais recentemente, aderiu ao Pronatec Idiomas, um programa criado pelos Ministérios do Turismo e da Educação voltado à qualificação para a Copa de 2014, que oferece cursos gratuitos de 180 horas, nos níveis básico, intermediário e avançado – as aulas terão início em outubro, com duração de dez meses e serão ministradas por professores do Senac. “Com foco nos megaeventos que o Rio de Janeiro vai sediar, elaboramos o Programa Rumo ao Pódium de Treinamento e Desenvolvimento, cujo carro-chefe é o incentivo ao estudo de idiomas, pois os cursos de inglês são estratégicos”, resume a gerente de recursos humanos do Windsor, Tatiana Milito. De uma forma geral, as empresas têm um longo caminho pela frente, pois uma pesquisa realizada este ano pela escola de inglês on-line Global English concluiu que o Brasil possui uma das piores posições do ranking mundial em proficiência em inglês: em uma lista de 76 nações, ficamos na penúltima posição, à frente apenas da Colômbia. Enquanto a média mundial foi de 4,15 pontos, a brasileira ficou em 2,95. “Muitos estrangeiros transitam por aqui, mas percebemos que há um grande número de pessoas com nível básico de inglês, ou até mesmo sem nenhum conhecimento da língua”, comenta Artur Melarato, da Changes Consulting, que promove treinamentos e consultoria em idiomas. 

Segundo Rose, da Companhia de Idiomas, em linhas gerais, a fala é a maior dificuldade do brasileiro em relação ao inglês, seguida pela compreensão oral (ouvir e entender), escrita e leitura. “Claro que isso pode variar de aluno para aluno, de acordo com as dificuldades que ele já tem com a sua própria língua, características de personalidade etc.” Mas quanto tempo leva para um profissional sem domínio algum da língua aprender a falar inglês? Não há uma resposta precisa, pois, mais uma vez, vai depender das características do aluno, do tempo que ele dedica ao estudo individual e assim por diante. Antes de decidir a carga horária e a periodicidade das aulas na empresa, o importante é fazer um teste de nivelamento e de conhecimento da língua para identificar os estágios de cada profissional e, assim, organizá-los de uma maneira que o aprendizado seja otimizado.  “Frequentemente, o aluno coloca em seu currículo que é fluente no idioma, mas acabamos constatando no teste que isso não é verdade”, ensina Vieira.


A maior cidade da América do Sul ainda não speak english
A Companhia de Idiomas contratou uma pesquisa com mais de 100 hotéis quatro e cinco estrelas, restaurantes e lojas de produto de luxo de São Paulo – a partir do método “cliente oculto”, profissionais estrangeiros da empresa se passaram por clientes. Os resultados não são nada animadores:

Nas lojas dos shoppings e da Oscar Freire, considerada uma das ruas mais luxuosas de São Paulo, apenas 12% dos atendentes compreenderam o que o turista estrangeiro estava falando, e só 9% conseguiram manter uma conversa com ele;

> Nos restaurantes de alto nível, 30% das(os) recepcionistas compreenderam o turista, mas somente 7% tiveram condições de conversar com ele;

> Nos hotéis, o resultado foi um pouco melhor: 70% dos atendentes compreenderam o estrangeiro, enquanto 28% conseguiram manter um diálogo.


E o português?
O destaque do Brasil no cenário mundial está atraindo muitos estrangeiros em busca de emprego. E, para se comunicar melhor, vão para as salas de aula para aprender nosso idioma. A procura por aulas de português para estrangeiros já aumentou 40% no Berlitz Educação Global, em relação ao primeiro semestre do ano passado. O português já é o segundo idioma mais procurado, entre os 32 lecionados nas unidades de todo o país, que chegam a 20, passando à frente do espanhol e atrás apenas do inglês. Nesse contexto geral, a Copa do Mundo e as Olimpíadas também são fatores de influência.

 

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