Toda experiência é um diferencial

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O que você prefere: passar as férias viajando para descansar depois de um ano todo de estudos, ou trabalhar, mesmo que seja uma experiência temporária, para aplicar seus conhecimentos na prática? Certamente, cada leitor fará uma avaliação pessoal e escolherá a alternativa que mais lhe interessar. Afinal, esse é o tipo de pergunta que não tem resposta certa ou errada. Muitas vezes, descansar funciona muito bem para alguns, enquanto outros preferem ficar ligados, especialmente os que planejam detalhadamente suas carreiras.

As escolhas que fazemos ao longo da vida tendem a direcionar os caminhos que traçaremos e, assim, indicar quais os frutos que vamos colher. Não que tenhamos de nos aplicar o tempo todo visando a nossa carreira e perspectivas profissionais. Porém, é evidente que aqueles que se dedicam mais, que obtêm experiências diferenciadas e se desenvolvem mais tenazmente para o sucesso profissional acabam chamando mais atenção.

Para um selecionador de jovens talentos, as escolhas acabam se concentrando no potencial demonstrado pelos candidatos a uma vaga, nas habilidades mostradas ao longo do processo seletivo e nos conhecimentos exibidos em razão de suas formações. Agora, fica claro que aqueles que possuem diferenciais, mesmo que não tão expressivos, acabam se destacando nas “montanhas” de currículos analisadas a cada processo seletivo. 

É nesse sentido que tem ganhado força a valorização de pequenas experiências vividas pelos candidatos. Há algum tempo, isso se reflete em relação àqueles que dedicam parte de seu tempo e esforços a trabalhos voluntários, especialmente na área social. Hoje, além dessa tendência, os representantes de RH têm ficado especialmente atentos àqueles que assumem trabalhos temporários em seu próprio ramo de formação, inclusive em períodos de férias.

Em países da Europa, Ásia ou América do Norte, principalmente, já são tradicionais os chamados summer jobs, em que estudantes e profissionais sacrificam seu período de férias em razão do trabalho. Muitas vezes, as oportunidades não têm nada a ver com a carreira escolhida, e acabam sendo uma forma de esses jovens ganharem um dinheiro extra. Entretanto, ganha força no mercado, e essa tendência chega com força no Brasil, a oferta de vagas temporárias em setores especializados, em épocas de grande volume de trabalho para certas atividades.

Atuar durante as férias escolares em trabalhos temporários voltados à área da formação dos jovens é, portanto, um diferencial muito valorizado e cada vez mais reconhecido pelas empresas como estratégia válida na escolha de seus contratados. É claro que, muitas vezes, um estudante que não opte por trabalhar nesses períodos possui desempenho e diferenciais que o destacam numa seleção. No entanto, não pode ser desprezada a importância que tem obtido a atuação profissional, mesmo que temporária. Como já dissemos, não há resposta certa ou errada à pergunta apresentada nas primeiras linhas deste texto. Contudo, que é interessante encontrar no currículo dos jovens uma experiência profissional, mesmo que temporária, isso é inegável.

 

Adriana Zanni é diretora de RH da KPMG para a América do Sul

 

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