Todo gerente é líder?

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A resposta a pergunta que vai como título deste artigo é simples e muitos devem supor qual é: não! Muito se fala na questão de liderança dentro das organizações. Liderança é importante? Sem dúvida alguma! Todo agrupamento humano requer liderança. Podemos acreditar que todos os gestores e gerentes estão aptos a se tornar líderes? Na sua grande maioria, sim. O que podemos afirmar, com toda a segurança, é que existe uma diferença enorme entre “gerenciar” e “liderar”. Por outro lado, as mudanças em curso no mundo com velocidade de resposta, agregar valor ao cliente, prática do espírito de equipe com melhores times, sustentabilidade, valor social etc., obrigam a um novo olhar para essa questão tão significativa.

Qual é o desafio? O líder se traduz pelas atitudes praticadas na interface com um time. Respeito, humildade, confiança e integridade são valores que norteiam as ações de uma pessoa assim. Inspirar, desafiar e mobilizar indivíduos em torno de uma causa. Criar novos líderes. Ter primeiro uma visão social, que anteceda a econômica, ao contrário dos gestores que normalmente pensam nos números antes das pessoas. O primeiro papel do líder dentro de uma organização é traduzir em comportamentos observáveis (dele e de seu time, fique bem claro) os valores da organização e, por meio deles, fazer os resultados acontecerem.

Percebe-se uma falta de liderança no mundo e dentro das corporações. Ao longo da experiência em trabalho de consultoria vimos bons profissionais trocando de organização em função de gestores inadequados, seja por uma postura coercitiva ou por um mero paternalismo.

Um líder é aquele profissional capaz de fazer com que as pessoas consigam enxergar, propor e implantar a solução concreta que pode ser colocada em prática no momento e que “gera conquistas que todos queremos alcançar para as empresas, nações e para nós mesmos”, nas palavras de John Kotter, extraídas do livro Sentido de urgência, publicado pela Editora Best Seller.

Qual é a causa raiz desse problema? Sem dúvida alguma, o modelo de gestão de comando e controle hierarquizado é um dos principais responsáveis por isso, pois cria circunstâncias que obrigam pessoas a agir em conformidade com uma “determinada cultura” de apego a cargos e status, que impedem uma verdadeira leitura da função social da organização. Ela não pode ser traduzida meramente pela geração de empregos, mas, principalmente, pela valorização das pessoas e da sociedade em que está inserida, fazendo com que a geração de riquezas seja a alimentadora desse desenvolvimento. Toda organização, no fundo, é um organismo social (em primeiro lugar) e econômico (em seguida) e, assim, o social deveria ser considerado em primeiro plano, em vez da geração de riquezas para os acionistas.

Essa mudança está em curso! Por isso, a necessidade cada vez maior de líderes, de verdade! Acredito em uma organização mais plana e atuando em rede de equipes na prática de um círculo virtuoso de resultados que beneficiem a todos.

Tatsumi Roberto Ebina é o sócio-diretor e fundador da Muttare.

 

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