Gestão

Trabalho pesado

Vanderlei Abreu
9 de outubro de 2014
The Beatles / Crédito: iStockphoto
Como os Beatles já cantaram em A hard day's night: working like a dog / Crédito: iStockphoto

A consolidação dos projetos associados à Copa do Mundo, bem como a retração da economia no primeiro semestre, estão fazendo com que as escolas de idiomas tenham de trabalhar dobrado para fechar 2014 em patamares próximos aos de 2013. Rosangela Souza, sócia da Companhia de Idiomas, afirma que, embora esperasse uma redução no ritmo por conta da desaceleração econômica e das incertezas geradas pelas eleições, a procura só voltou a crescer a partir de agosto e as consultas feitas no primeiro semestre se converteram em contrato somente agora. Em termos de perspectivas, ela estima em torno de 30% o crescimento em relação a 2013 por conta desses negócios.

Lúcio Sardinha, CEO da Up Language, é mais pessimista, embora espere que o crescimento de sua empresa siga a média anual na ordem de 15%. “Porém, com três eventos de porte como Carnaval, Copa do Mundo e eleições, a expectativa do mercado é acompanhar o crescimento do PIB, ou seja 0%.” Já Ricardo Hilgenberg, diretor comercial da Speexx, vai na rota contrária e afirma que a empresa deve crescer na casa dos três dígitos, praticamente triplicando o número de clientes desde sua fundação, em 2012. Ele acredita que a companhia deve fechar 2014 com 12 clientes corporativos na carteira.
Entre as escolas tradicionais, a Cultura Inglesa apresentou um crescimento significativo em 2014. Segundo Vinícius Nobre, gerente do departamento acadêmico, é muito difícil pontuar se a motivação para o aumento na procura pelos cursos esteve relacionada à Copa do Mundo. “Tivemos muitos alunos interessados em se preparar para o evento, mas não fizemos um acompanhamento formal”, salienta.

Ele tem o mesmo pensamento em relação às Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. “Embora os jogos olímpicos ajudem a aumentar a percepção do brasileiro sobre a importância da língua inglesa, é difícil prever se esse evento terá um impacto imediato nos investimentos educacionais da nossa sociedade. Nem sempre o aprendizado de um idioma estrangeiro é valorizado; a população ainda tende a estabelecer outras prioridades”, analisa.

Hilgenberg acredita que as principais oportunidades de negócios no setor devem vir do mercado do Rio de Janeiro. “Embora nosso foco seja maior no segmento corporativo, também vamos atender pessoas físicas envolvidas em projetos corporativos, o que deve ampliar nossa área de atuação e participação de mercado, de modo que prevemos um crescimento significativo em consequência das Olimpíadas.”

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Lúcio Sardinha / Crédito: Divulgação
Sardinha, da Up Language: saber o investimento necessário / Crédito: Divulgação

Novidades
O ano de 2013 trouxe novidades que começaram a se consolidar neste ano. O serviço de mapeamento linguístico – que consiste na identificação dos funcionários fluentes, bem como dos profissionais que necessitam de capacitação em língua estrangeira, encurtando o caminho para suprir a necessidade com conhecimento do idioma, maximizando o investimento, já que será feita uma preparação específica sem a necessidade de cursos mais longos – deve corresponder a quase metade dos negócios das consultorias de idiomas neste ano.

Sardinha, da Up Language, afirma que o que falta hoje à área de RH é saber qual o grau de investimento necessário para cursos de idiomas. Normalmente, o cálculo feito para o orçamento do ano seguinte é o valor investido no ano anterior acrescido da variação da inflação. “Na minha opinião, o gestor de RH deveria fazer um mapeamento de toda a equipe, estabelecer quantas horas de treinamento cada indivíduo ou grupo deve ter e mensurar o investimento com base nessa carga horária. Além de ter um orçamento mais preciso, o mapeamento também permite o estabelecimento de uma política de idiomas, com a exata noção do investimento de médio prazo que as empresas devem fazer em cursos de línguas”, ensina.

A Companhia de Idiomas também investiu em um aspecto crítico das escolas de línguas: a contratação de professores. Para atender a essa demanda, a consultoria criou uma nova empresa, a ProfCerto, um site de recrutamento e seleção de professores de idiomas que atende não só à demanda própria como também à de outras escolas. “Hoje, temos um banco com mais de quatro mil profissionais que já passaram por testes – essa é uma das vantagens do processo que é feito não só por currículo, mas com testes na plataforma, o que permite uma triagem ranqueada dos docentes”, explica Rosangela, que também é sócia do ProfCerto.

Ela ainda destaca que a iniciativa fez com que a Companhia de Idiomas reduzisse os prazos de fechamento de contratos, principalmente para projetos urgentes, por exemplo, de executivos que precisam ser capacitados com metas específicas, como uma viagem ou um processo seletivo interno que demandam um início de curso rápido.

The book is on the table
Capacitação em língua estrangeira pode ser a última barreira para a expansão corporativa no Brasil em âmbito internacional. Essa é a realidade para as multinacionais instaladas aqui e também para sucursais de companhias brasileiras no exterior. É necessário um esforço conjunto para atender às necessidades de uma base de clientes diversificada, ampliando a capacidade de se comunicar em vários idiomas. Entretanto, essas organizações esbarram no baixo nível de proficiência do brasileiro, especialmente na língua inglesa. Hoje menos de 5% da população tem fluência no idioma, o que é considerado muito pouco e leva o Brasil ao 38º lugar entre 100 países.

Rosangela Souza, da Companhia de Idiomas, atribui essa lacuna à deficiência de formação nos três níveis – fundamental, médio e superior. “Os alunos não só aprendem mal o inglês, mas até mesmo o português. Aí esse profissional vai para a empresa e, chegando lá, se o RH não tem muita experiência com o assunto de idiomas, a tendência é contratar uma escola franqueada (de grandes marcas) para minimizar o problema”, avalia.Segundo a empresária, as organizações têm muitos desafios, pois precisam que o funcionário fale a língua, mas acabaram se frustrando com a opção das escolas franqueadas e partiram para escolas independentes que conseguem ter soluções mais personalizadas.

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