Um mundo diferente depois da crise

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    Anualmente, em junho, é realizada, em Genebra, a Conferência Internacional do Trabalho (CIT), que reúne representações tripartites (governos, trabalhadores e empresários) de todos os países. Este ano, o tema central do evento foi a crise econômica mundial e suas consequências, como o aumento do desemprego e da pobreza. A crise tem sido muito analisada nos aspectos financeiros e, por isso, grandes quantias foram destinadas por diversos governantes para garantir seus bancos, seguradoras e até empresas industriais. Na conferência, diagnosticou-se o que já ocorreu ou deverá ocorrer com o que um dos documentos chama de “vítimas inocentes” da crise: os milhões de pessoas que já perderam o emprego. Além desses, há a recessão que leva a uma pausa na criação de novas oportunidades de trabalho.

    O diretor-geral da OIT, Juan Somavia, estima que, a cada ano, 45 milhões de novos trabalhadores chegam ao mercado de trabalho, a maioria jovem, e que a economia deveria criar 300 milhões de empregos até 2015 somente para manter os níveis que existiam antes do atual cenário econômico. No entanto, a crise, segundo ele, perdurará até o fim de 2010 ou até 2011. Somavia alerta que, embora haja sinais de que o descenso econômico esteja perdendo velocidade, a experiência da OIT com as crises anteriores ensina que o emprego perdido só é recuperado em cinco ou seis anos. A principal conclusão da CIT foi a proposta, inédita e corajosa, de um “Pacto mundial para o emprego”, com o objetivo de gerar empregos, proteger os trabalhadores e estimular a recuperação econômica. Entre os 11 princípios que iniciam o pacto, está o estabelecimento de sinergia entre o Estado e o mercado e uma regulação eficaz e produtiva das economias de mercado, que compreenda um entorno jurídico e normativo favorável à criação de empresas sustentáveis, promovendo a geração de emprego em todos os setores.

    Entre as medidas sugeridas para a recuperação do emprego, estão “limitar ou evitar a perda de postos de trabalho e apoiar as companhias para que possam conservar sua força de trabalho, mediante mecanismos bem concebidos, colocados em prática, por meio do diálogo e da negociação coletiva”.

    Chamando a atenção para o grande número de pessoas marginalizadas, o Pacto considera ser oportuna a adoção de medidas de curto prazo para ajudar os mais vulneráveis. Por isso, foram realizados intensos debates sobre o papel das empresas; o diálogo social; e a cooperação para o desenvolvimento. O documento foi adotado em uma plenária de quatro mil delegados de 183 países. Segundo afirmou Leroy Trotman, vice-presidente da Comissão Plenária, por enquanto, o Pacto é só um pedaço de papel. “Somos nós, governos, trabalhadores e empresários, que devemos convertê-lo em realidade (…) Se fracassarmos, as sociedades sairão perdendo”. O RH passa a ter uma agenda de caráter internacional. O desafio é implementá-la. Se for conseguido, certamente, após
    esta crise, estará surgindo um mundo melhor.

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