Gestão

Um novo líder?

Bruno Mendonça
6 de dezembro de 2013

Qual o novo perfil dos líderes globais? Para responder essa questão, vale a pena conhecer a tese desenvolvida pelo especialista em liderança norte-americano Barrett Brown. Ela é simples: para liderar instituições, empresas e governos, os novos líderes precisam ser sustentáveis e buscar constantemente novas formas e fontes de conhecimento. Ou seja, precisam se capacitar para enfrentar os complexos desafios econômicos, ambientais e sociais que as demandas mundiais colocarão à sua frente. Para tanto, ele lista as competências esperadas em líderes de sustentabilidade:

Ele é profundamente conectado

* Apoia a prática da sustentabilidade em um sentido profundo – honra o trabalho de sustentabilidade e o vê como uma prática espiritual, uma ferramenta para transformação de si mesmo, dos outros e do mundo.

* Toma decisões de maneira intuitiva – usa formas de conhecimento além da análise racional para colher ideias profundas e tomar decisões rápidas. Acessa esse tipo de informação de forma individual ou coletiva e facilita para indivíduos e grupos fazê-lo também.

* Abraça a incerteza com profunda confiança – é capaz de, humildemente, descansar em face da ambiguidade, do desconhecido e de mudanças imprevisíveis sem “forçar” uma resposta ou resolução imediata. Confia profundamente em si mesmo e em seus cocriadores e no processo como um todo para navegar por meio da incerteza.

Conhece a si mesmo

* Analisa e envolve o ambiente interno – é capaz de ter consciência rapidamente e responder às dinâmicas psicológicas em si mesmo para não influenciar de forma inadequada um trabalho de sustentabilidade. Possui uma sintonia profunda com sua “sombra”, personalidade e forças emocionais, capaz de “tirá-las do caminho” e manter-se “energeticamente limpo” ao se envolver com os outros.

* Tem múltiplas perspectivas – é capaz de manter intelectual e emocionalmente diferentes perspectivas relacionadas a um problema de sustentabilidade, sem estar excessivamente ligado a nenhuma delas. Capaz de discutir a posição e comunicar-se diretamente a partir de diferentes pontos de vista.

Faz uma gestão adaptável

* Dialoga com o sistema – é capaz de, repetidamente, perceber o que é necessário para ajudar a desenvolver um sistema, tenta intervenções diferentes, observa a resposta do sistema e se adapta de acordo com ele.

* Caminha com energia – identifica e aproveita as aberturas e oportunidades para mudanças no sistema que são bem recebidas por seus membros, construindo, dessa forma, dinâmica e movimento para driblar obstáculos.

Cultiva a transformação

* Autotransformação – é capaz de constantemente desenvolver-se ou criar o ambiente para o autodesenvolvimento nos domínios intrapessoal, interpessoal e cognitivo, bem como em outras áreas. Cria comunidades e engaja mentores.

* Gera condições de desenvolvimento – conduz as condições iniciais que dão suporte ou desafiam o desenvolvimento de indivíduos, grupos, culturas e sistemas. Possui habilidade para sentir o próximo passo no desenvolvimento.

* Gera espaço – cria o espaço adequado para ajudar no progresso do grupo, lidando com a tensão de questões importantes, além de manter o potencial energético para o que é necessário.

* Maneja as sombras – dá suporte aos outros para ver e responder adequadamente as suas questões psicológicas e suas sombras “programadas”.
Navega com teorias e estruturas sofisticadas

* Teoria de sistemas e de pensamento – compreende os conceitos fundamentais e linguagem da teoria dos sistemas. É capaz de aplicar sistemas de pensamento para entender melhor as questões de sustentabilidade e apoiar o desenvolvimento de sistemas.

* Teoria da complexidade e pensamento complexo – compreende os conceitos fundamentais e linguagem da teoria da complexidade, especialmente no que se refere à liderança. É capaz de aplicar o pensamento complexo para melhor compreender as questões de sustentabilidade e apoiar o desenvolvimento de sistemas adaptativos complexos.

* Teoria e reflexão integral – compreende os conceitos fundamentais e a linguagem da Teoria Integral. É capaz de usá-la para avaliar ou diagnosticar um problema de sustentabilidade e projetar uma intervenção, comunicação sob medida para diferentes visões do mundo e apoiar o desenvolvimento de si mesmo, de outros grupos, culturas e sistemas.

* Gestão de polaridade – compreende os conceitos fundamentais e a linguagem da gestão de polaridade. É capaz de reconhecer e envolver efetivamente polaridades importantes, tais como: subjetiva-objetiva, individual-coletiva, racional-intuitiva, masculino-feminino, estruturada-dinâmica.

 

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