Uma força estratégica

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Tema relativamente recente, a gestão do conhecimento ganha enorme relevância pela simples constatação de que o universo de informações disponíveis hoje é tão amplo e tão rico que as organizações perceberam a necessidade de filtrar e organizar todo esse conteúdo. E, com o advento da internet, o conhecimento é uma construção coletiva permanente. 

O fenômeno da Wikipédia, os sistemas de comunicação empresarial, as bases de dados e as comunidades de práticas, entre outras coisas, configuram a amplitude de possibilidades para se obter conhecimento. A questão é: como transformar tanta informação em conhecimento aplicativo, que agregue uma vantagem perceptiva para o negócio. Ou seja: como estabelecer um processo contínuo e sistemático de captação, organização e disponibilização de informações que façam a diferença na inteligência de decisões das empresas e dos setores de trabalho.

A gestão do conhecimento, nesse contexto, ganha força estratégica, porque a velocidade de organização das informações e da sua apropriação como um conhecimento diferenciado conta pontos na arena competitiva dos negócios. E como dar conta dessa tarefa? Em primeiro lugar, é preciso qualificar as informações, estabelecer uma fronteira de interesse, ver quais impactam positiva ou negativamente a empresa e as que simplesmente representam um ganho de percepção para o negócio. O segundo passo é mapear as informações, tanto no contexto interno quanto nas fontes externas.

É bastante comum, nesse mapeamento, localizar um potencial atrofiado de conhecimentos no próprio ambiente organizacional. Ou seja, a construção coletiva do conhecimento já é um fato, mas falta a aplicação prática dele. Um exemplo dessa “cochilada” acontece com a força de vendas. A equipe comercial, que passa a maior parte do tempo no campo, obtém informações importantes sobre o mercado, os clientes e a concorrência, e elas ficam inertes em relatórios burocráticos nas gavetas… Outro exemplo corriqueiro são as viagens de estudos ou de participação em eventos. O que poderia ser uma oportunidade única de captar tendências e movimento de cenários muitas vezes passa despercebido pelas organizações, que poderiam desdobrar e internalizar essas informações no regresso dos profissionais ao ambiente da empresa.

Então, uma providência básica para a boa gestão do conhecimento é mapear oportunidades internas de geração de informações e sistematizar um processo de apropriação delas. Depois, é “abrir as janelas” e priorizar as fontes externas de conhecimento. Os focos externos são, por exemplo, os especialistas em algumas áreas de conhecimento, a vasta literatura de negócios, os simpósios e congressos, enfim, há um campo enorme de possibilidades. Em resumo, a gestão do conhecimento é um movimento permanente, em crescimento contínuo e progressivo, que precisa ser incorporado como uma ferramenta estratégica das empresas para o desenvolvimento humano e organizacional.

Dorival Donadão é consultor em gestão e desenvolvimento humano

 

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