Gestão

Uma ideia Í  mão e várias mudanças

Vanderlei Abreu
11 de julho de 2014
Diretoria Cativa
Diretoria da Cativa premia Marcia pela sua participação ativa no projeto

 

Mentalidade enxuta

O termo “lean” foi cunhado ao final da década de 80 em um projeto de pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sobre a indústria automobilística mundial. A pesquisa revelou que a Toyota, depois de passar por recessão devido à II Guerra Mundial, desenvolveu uma metodologia de gestão nas principais dimensões dos negócios — manufatura, desenvolvimento de produtos e relacionamento com os clientes e fornecedores.

Naquela época, a montadora japonesa não estava nem entre as dez maiores do mundo. Em 2009, a Toyota tornou-se a maior em volume de vendas, acumulando vitória após vitória ao longo dessas décadas, mostrando as vantagens e benefícios do sistema que desenvolveu. Não se trata de um conceito exclusivo da Toyota, podendo ser aplicado por empresas de qualquer negócio e em qualquer país ou região. Deve ser visto como um sistema de gestão para toda empresa.

Lean Thinking (ou Mentalidade enxuta) é uma filosofia e estratégia de negócios para aumentar a satisfação dos clientes com a melhor utilização dos recursos. A gestão lean procura fornecer, de forma consistente, valor aos clientes com os custos mais baixos (PROPÓSITO), identificando e sustentando melhorias nos fluxos de valor primários e secundários (PROCESSOS), por meio do envolvimento das pessoas qualificadas, motivadas e com iniciativa (PESSOAS). Importante: o foco da implementação deve estar nas reais necessidades dos negócios e não na simples aplicação das ferramentas.

Os resultados obtidos geralmente implicam o aumento da capacidade de oferta de produtos que os clientes querem, na hora em que eles precisam, aos preços que estão dispostos a pagar, com custos menores, qualidade superior e lead times mais curtos, garantindo, assim, maior rentabilidade para o negócio.

Depois de encarar taxas de desemprego de dois dígitos na década de 1990, os brasileiros têm visto nos últimos anos o número de trabalhadores fora do mercado de trabalho cair de forma consistente. E na indústria têxtil a lógica da situação de anos anteriores foi invertida. Há vagas, faltam profissionais. Na última pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), identificou-se que 75% das empresas de vestuário e 32,5% das empresas têxteis necessitam de mão de obra qualificada e que as pequenas e médias empresas são as que mais sofrem com a escassez e a alta rotatividade dessa força de trabalho. Diante deste cenário, iniciativas de gestão mais participativas podem ser boas alternativas.

Esta foi a aposta da Cativa, empresa do ramo de confecção, situada na cidade de Pomerode-SC. Com aproximadamente 1,7 mil colaboradores e 25 anos de operações, em 2010, a Cativa resolveu adotar a metodologia Lean Manufacturing para ajudar a melhorar os processos, reduzir os custos de produção e aumentar a lucratividade.

Letícia Schiochetti, gerente júnior de produção da Cativa, explica que a adoção da metodologia na empresa visou a melhoria de todos os processos apesar de ter sido iniciado em áreas críticas da fábrica, como corte e costura. “O corte é o ‘pulmão’ da empresa, pois ele dá o ritmo para os demais setores trabalharem e quanto maior for o ganho no setor de corte, as demais áreas vão sentir impacto”, avalia.

Mudar para melhorar
Nascido no contexto do pós-guerra no Japão, o conceito do Lean Manufacturing, criado pela montadora Toyota, consiste em uma cultura antidesperdício. A implantação do Lean exige mobilizar o capital humano disponível, dar-lhe novos conceitos e técnicas e permitir que faça suas próprias experimentações (leia mais no quadro Mentalidade enxuta).

O principal motor desse processo é o Kaizen — palavra japonesa que significa mudar para melhor — e toda vez que é identificada uma necessidade de melhoria, um grupo de pessoas se reúne e discute para saber os porquês dos problemas e juntos buscam uma solução. Ao final do trabalho, a equipe apresenta o antes e o depois, mostra as mudanças e os ganhos. Desde o início do programa, a Cativa registrou 202 Kaizens; destes 98 finalizados e 61 em andamento. Nos projetos, participam 150 colaboradores que desenvolvem as melhorias, além das suas atribuições rotineiras em toda a empresa.

“A Cativa tem uma quantidade tão grande de Kaizens porque cada problema identificado representa uma oportunidade de melhoria da empresa, e o foco das pessoas é direcionado para a solução individual de cada um [dos problemas]”, afirma Letícia.

A cada semestre, um comitê — formado pela equipe focada na metodologia Lean e outras pessoas estratégicas da companhia — escolhe, por vias meritocráticas, equipes que devem ser reconhecidas pelos Kaizens. Dessa maneira, além de se destacarem e serem valorizados pelo trabalho, os colaboradores que obtêm o reconhecimento recebem como prêmio uma viagem para algum lugar de Santa Catarina.

Até o momento já houve quatro equipes que foram reconhecidas e cinquenta e cinco pessoas premiadas. A primeira viagem foi para o Parque Beto Carrero World, em outubro de 2012, a segunda para o Parque Unipraias, em fevereiro de 2013, a terceira para a Serra Catarinense em julho de 2013. E a mais recente para o Parque Aquático Cascaneia, em março deste ano.
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Reconhecimento
Márcia Hackbarth, também gerente júnior de produção, foi recentemente homenageada por sua participação em vinte e cinco projetos finalizados. O número é especial, pois faz alusão aos 25 anos da C ativa Têxtil. A colaboradora foi presenteada com flores, um dia de princesa em um salão de beleza de Pomerode, porta-retratos e um certificado de reconhecimento pelo seu empenho e envolvimento com a empresa. “Senti-me honrada, não esperava essa homenagem, pois estava fazendo o trabalho por amor à minha profissão”, comenta.

A colaboradora ainda destaca que conseguiu participar de várias mudanças da empresa ao mesmo tempo. “Atualmente, os profissionais precisam se adaptar à globalização e, como gosto de aprender, esta foi a forma que encontrei para buscar novos conhecimentos”, destaca. Para poder participar dos Kaizens, ela organizou suas atividades do dia a dia e delegou algumas para a equipe.

Clima Organizacional
Marcelo Kamchen, diretor administrativo-financeiro, ressalta que um dos principais benefícios para a Cativa com a adoção do Lean Manufacturing foi a melhora do clima organizacional. Ele explica que a empresa realiza sua pesquisa de clima uma vez ao ano e uma das solicitações dos colaboradores era a criação de um canal pelo qual eles pudessem sugerir melhorias. “O Lean proporciona isso e vai além, porque as pessoas se tornam responsáveis pela mudança, se sentem parte do processo”, comenta.

O executivo ainda destaca que a área de recursos humanos teve um papel de fundamental no processo, mobilizando as pessoas para participação no programa. Para Kamchen os maiores desafios do RH no projeto Lean Manufacturim foram: tirar as pessoas do trabalho para participar dos treinamentos, divulgar os acontecimentos ligados à proposta e fazer o endomarketing para levar a informação para as pessoas.

Essas ações de RH foram tão importantes que vários colaboradores da Cativa acabaram aderindo ao programa espontaneamente, como a encarregada de bordado e decoração, Jussara Maria Néis. Ela conta que, quando foi divulgado o projeto Lean Manufacturing na organização e os benefícios que traria para a empresa, ajudou a fazer a divulgação para a equipe que lidera. “Como líder e formadora de opinião, percebi que tínhamos a oportunidade de usar uma das ferramentas do Lean, o Kaizen, para implantar muitas melhorias no setor e, consequentemente, contribuir para os resultados da empresa”, analisa.

#L# Jussara ainda afirma que foi conhecendo a filosofia da metodologia que surgiram as oportunidades para participar das mudanças dentro da empresa, ou seja, produzir mais com menos recursos. No setor que ela lidera, por exemplo, foram feitos alguns Kaizens com resultados bem significativos, como redução do tempo de espera, melhorias no processo, diminuição do estoque, entre outros. Ela ainda destaca que o Lean Manufacturing também ensina às pessoas a importância de serem mais flexíveis e estarem sempre abertas a mudanças.

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