Vaga para gerente super-humano em Recursos Humanos

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Por Felipe Waltrick*

O candidato deverá atuar como gestor de RH operacional e planejamento estratégico. Realizar a gestão de pessoas com a finalidade de colaborar com os resultados do negócio. Desenvolver estratégias de recrutamento e seleção. Atuar com planos de cargos e salários visando melhorar a produtividade dos colaboradores. Apoiar com administração de pessoal e relações trabalhistas e sindicais de acordo com as exigências legais e políticas da empresa. Efetuar a gestão de desempenho interna e externa e avaliação de satisfação. Elaborar ações de pesquisa de clima organizacional para mensurar a satisfação dos colaboradores. Atuar com apoio aos gestores e diretores na gestão de pessoas através de orientações e feedbacks. Definir políticas, objetivos específicos e metas de gestão, coordenar, gerenciar e controlar projetos, desde o planejamento, estrutura de cargos, salários, até a controladoria de RH, visando alinhar os programas de valorização do contingente humano aos padrões esperados de desempenho e resultados. O candidato precisa ter ensino superior completo em Psicologia ou Administração de Empresas, de faculdade renomada. Experiência na área, inglês e espanhol fluentes. Ter proatividade, espírito empreendedor, disciplina e organização, além de atenção, boa comunicação verbal e escrita, comprometimento, acessibilidade, gerenciamento de tempo e perfil de liderança.

A vaga acima é real e foi copiada de uma simples busca por oportunidades na área de Recursos Humanos. Essa vaga revela, um pouco, a forma como algumas empresas estão desenhando o “profissional de RH ideal”, para ganhar cerca de 5 mil reais por mês, mais benefícios. Não há problema algum em ser um profissional ‘generalista’ ou ‘especialista’, contudo, quando empresas forçam a quantidade de qualificações e habilidades em suas publicações de vagas, isso é um indício de nocividade para uma área que, embora consolidada, ainda está em desenvolvimento. De modo geral, essas exigências lançadas como “oportunidades” geram uma autocobrança dos profissionais, que por sua vez acabam retroalimentando essa prática.

O RH abriu seu espaço, basicamente, com administradores e psicólogos, absorvendo, naturalmente, todas as tarefas operacionais do Departamento Pessoal e, desde então, vem se aproximando dos colaboradores com técnicas e tecnologias avançadas, tudo para engajar o coletivo e manter ou aumentar a produtividade.

Certamente o conhecimento sempre será bem-vindo, porém, ao abraçar competências distintas de suas vocações e assumir certas responsabilidades, o profissional pode colocar em risco não apenas os resultados de um projeto, mas a própria saúde mental e física. No caso do profissional de RH, fica a questão: Quando a autocobrança por capacitações da moda não mais se sustentarem e a carga emocional e física surgirem, como será possível motivar o coletivo sem estar motivado?

*Felipe Waltrick é diretor de tecnologia da iFractal, com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software

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