Vagas só para eles, e vagas só para elas. Isso está certo?

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Maria Helena Figurelli / Crédito:  Divulgação
Maria Helena Figurelli é co-piloto das aeronaves Airbus A319, A320 e A321 / Crédito: Divulgação

Há quem diga que determinada vaga ou atividade se encaixe melhor em homens do que em mulheres ou vice-versa. Será? O tema pode ser debatido em várias vertentes, porém, quando se trata de competências, a personalidade, o perfil, e os conhecimentos adquiridos ao longo da carreira vencem a barreira do gênero e o profissional passa a ser reconhecido e creditado por aquilo que conhece e entrega à empresa.

Não há quem duvide de que as mulheres possuem qualidades e características diferentes dos homens, da mesma forma que eles também possuem aptidões que os diferenciam do público feminino. O que não pode haver é um “pré-conceito” de que determinados cargos e profissões sejam específicos para cada gênero, pois esta é, sem dúvida, uma afirmação do passado.

O palestrante, consultor e educador Claiton Fernandez conta que existe uma explicação científica para essa questão, que comprova haver diferenças marcantes entre os homens e as mulheres. “Em geral, os homens se saem melhor em tarefas que envolvem cálculos, enquanto as mulheres são melhores em habilidades relacionais. As mulheres, normalmente, expressam melhor seus sentimentos do que os homens porque a área do sistema límbico, responsável pelas emoções, é mais desenvolvida nelas”, afirma.

Porém, quando o assunto é contratação, nota-se que esse processo está sendo feito com base em perfis pré-definidos. “As pessoas são contratadas se possuem os perfis desejados, independentemente de sexo, etnia, religião ou nível social”, explica Marcelo Braga, sócio da Search Consultoria em RH. Ele analisa, ainda, que, em geral, não são mais percebidas situações em que há de discriminação de vagas para homens ou para mulheres. “No entanto, existem perfis em que é sabido que a probabilidade de ter mulheres que se encaixem é maior do que a de ter homens, ou vice versa”.

Na área de aviação, por exemplo. Na posição de piloto ou co-piloto, o que normalmente vem à mente? Dois homens na cabine. Se até a palavra é masculina, por que o gênero no comando seria o seria oposto? Pois é, mas a co-piloto das aeronaves Airbus A319, A320 e A321 Maria Helena Figurelli está no comando para mostrar que não é bem assim. Igualmente como muitos outros profissionais do sexo oposto que ocupam vagas vistas como femininas ou masculinas, Maria afirma que o mais importante não é ser mulher ou não, mas sim o conhecimento que o profissional possui. “Pessoas que têm interesse e coragem para trabalhar em um campo dominado pelo sexo oposto já demonstram, pela escolha em si, que são pessoas determinadas, que não se deixam abater por obstáculos na carreira, uma vez que sua trajetória profissional causa estranheza e desconfiança.”

Para ela, normalmente esses profissionais tendem a se esforçar mais que os outros para provar que podem e merecem ocupar aquela vaga. “A empresa que reconhece isso, ou que tem uma visão mais ampla de que a sociedade só tem a ganhar com a somatória de diferentes gêneros em um mesmo cargo, normalmente dá oportunidade a esse funcionário.”

Maria começou a voar em 1997, como comissária de bordo, ficando no cargo por cinco anos. Seu primeiro emprego foi em um táxi aéreo, transportando carga em vôos noturnos, em São Paulo e depois em Belém. Após o nascimento da filha, ela deu um tempo de três anos na carreira, retornando à aviação comercial como co-piloto das aeronaves Airbus A319, A320 e A321. Sobre vê-la no comando, a co-piloto afirma que as pessoas ainda estranham, mas a maioria admira também. “O preconceito existe, mas é velado. Normalmente, vem à tona de maneira muito sutil e, às vezes, até na tentativa de um elogio, algo como ‘até que ela voa direitinho, não é?’. Felizmente, foram poucas as vezes que sofri algo explícito”, finaliza.

O fato é que existem habilidades nas quais as mulheres se sobressaem, assim como há habilidades mais fortemente voltadas para os homens, isso sem contar com as exceções, homens que desenvolveram habilidades mais encontradas nas mulheres, ou mulheres que desenvolveram habilidades encontradas nos homens. Para Marcelo, da Search Consultoria em RH, “isso é muito bom, e ainda bem que somos diferentes!”.

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