Gestão

Valores, empresas e sociedade

de Redação em 23 de abril de 2018

Por Susana Falchi (*)

Susana Falchi

Susana Falchi

Há uma mudança em curso. As pessoas passam a pensar mais na qualidade de vida, no ambiente e na sociedade em que vivem, o que se torna determinante na forma como encaram a vida profissional e a forma como consomem. Grandes corporações que compreenderam este movimento passam a valorizar mais a Geração de Valor Compartilhado do que os resultados financeiros no curto prazo e, por incrível que pareça, têm elevado sua prosperidade. O momento é de redefinição das fronteiras do Capitalismo, com o fim da visão estreita da geração de valor às custas da sociedade. Esta é a próxima grande transformação do pensamento administrativo e que impacta diretamente a gestão de pessoas.

Enquanto se consolida nas economias desenvolvidas, essa nova onda permanece distante da realidade brasileira. Casos de corrupção resultantes da busca de lucro a qualquer custo sempre estão em destaque na mídia. Por outro lado, cresce um sentimento de desprezo por empresas que não levam em consideração o bem-estar de clientes e da sociedade e isso levará a impactos cada vez maiores nos resultados financeiros destas organizações.

O enfoque dos negócios deverá se voltar para a Geração de Valor Compartilhado, a qual busca identificar e ampliar o elo entre progresso social e progresso econômico. Assim, as práticas operacionais que aumentam a competitividade de uma empresa devem também melhorar as condições socioeconômicas das comunidades onde ela atua. Embora ainda pouco observado no Brasil, é uma premissa óbvia, já que são as necessidades da sociedade que definem o mercado. Exemplo disso são as deficiências do sistema educacional que, para as organizações, acabam por se transformar em custos, por conta da necessidade de treinamento e capacitação de colaboradores. Enfrentar os problemas sociais faz com que o mercado consumidor cresça, assim como a produtividade.

Cada vez mais empresas vêm adotando esta visão destacada por Michael E. Porter e Mark R. Kramer. São nomes como GE, Google, IBM, Intel, Johnson & Johnson, Nestlé, Unilever e Walmart. Estas companhias não fabricam a demanda. Ao invés disso, partem da pergunta “esse produto é bom para nossos clientes ou para os clientes dos nossos clientes?” O seu ponto de partida é identificar as necessidades, benefícios e mazelas sociais que estão ou poderiam estar associadas aos produtos da empresa.

É preciso colocar em prática a ideia de que desempenho financeiro e sustentabilidade impulsionam o crescimento da empresa, fornecendo soluções para alguns dos mais complexos desafios do mundo. A Criação de Valor Compartilhado envolverá novas e avançadas formas de colaboração, exigirá métricas concretas e customizadas para cada unidade de negócios. Dessa forma, irá reconectar o sucesso da empresa ao sucesso da comunidade. Este é o próximo estágio da compreensão de mercados, concorrência e administração de empresas.

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