Vencer a barreira do gênero

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Elaine Saad, VP da ABRH-Nacional
Elaine, da ABRH-Nacional: presença das mulheres no board

Nos últimos tempos, as mulheres avançaram e quebraram barreiras históricas que as diferenciavam do homem na organização social. Nos dias de hoje, já não é mais impensável inverter os papéis, com a mulher como provedora da casa e o homem preso às tarefas domésticas. O cenário descrito é raro, mas existe, assim como escasso é o número de líderes mulheres que integram o topo das organizações sejam elas privadas ou públicas.

Ousar, inovar e performar fazem parte do tema central da edição deste ano do maior evento sobre gestão de pessoas da América Latina, o CONARH, e o tema política de equidade de gênero apresenta-se como um estímulo para discutir esses três verbos. Em entrevista a MELHOR, a vice-presidente da ABRH-Nacional, Elaine Saad, que ao lado do consultor e educador Eugênio Mussak e Alessandra Ginante, vice-presidente de recursos humanos da Avon, coordenam a criação do evento, expõe sua visão sobre o assunto e avisa que é necessário coragem para vencer a barreira do gênero.

Pesquisas indicam que, apesar dos avanços das mulheres em diversas frentes do mercado de trabalho, a presença delas nos comitês executivos ainda é muito reduzida. A senhora acredita que isso é resultado do que os especialistas chamam de teto de vidro, ou há outros fatores que conduzem a isso? 
Acredito que a presença das mulheres no board vem crescendo, mas realmente ainda não se equipara à presença masculina. Isso acontece por fatores diferentes. Alguns deles ligados à cultura organizacional, que privilegia a carreira masculina, e outros inerentes à própria mulher, que muitas vezes acaba não querendo assumir um cargo de tanta complexidade devido à sua vida pessoal, do receio que tem de não conseguir equilibrar bem sua família com o trabalho. Na América Latina, a mulher ainda ocupa um papel de responsabilidade no lar maior que a do homem e maior que o das mulheres em alguns outros continentes. 

Como uma das coordenadoras do CONARH 2014, que conselhos a senhora daria para o RH ousar e inovar em suas políticas de gêneros?
É ter a coragem de lançar ou de sugerir políticas de equiparação salarial nas questões de gêneros e no número equilibrado de homens e mulheres em cargos similares e executivos, mesmo que ainda encontre barreiras dentro da organização.

 

A senhora acredita que as mulheres apresentam características que as conduzem para uma liderança positiva?
Homens e mulheres são diferentes, mas as questões de liderança têm determinantes mais complicados que as questões de gênero, pois cada indivíduo tem seu próprio estilo e característica. Acredito que as mulheres possam ter facilidade maior para agregar, são mais sensíveis e se sentem menos ameaçadas no ambiente corporativo; isso facilita alguns aspectos de sua liderança.

Uma pesquisa conduzida pela consultoria Mazars indicou que homens da geração Y não se sentem ameaçados pelas mulheres no mercado de trabalho. A senhora acredita que isso seja algo exclusivo de uma geração que nasceu vendo suas mães no mercado de trabalho? 
A geração Y com certeza foi criada em um mundo muito mais equilibrado e socialmente se adaptou de maneira diferente. Isso vem  facilitanto a forma como essas pessoas enxergam a diversidade. Então, acredito que pessoas da geração Y têm mais facilidade de lidar com questões de diversidade, inclusive de gênero. Alguns homens de gerações anteriores podem ter mais dificuldade de aceitar mulheres em papéis de destaque. Não são todos. Sempre haverá exceções em todos os grupos, estamos falando de seres humanos.
#L#Estudos indicam que acabar com a lacuna de gêneros no mercado de trabalho ajuda no crescimento das economias e na distribuição de renda. O que a senhora acha dessa conclusão?

Entendo que resolver as questões de diversidade no mercado de trabalho de maneira geral com certeza contribui para a melhor distribuição de renda e crescimento de um país. Gênero é uma dessas questões. Poder equilibrar o comando de uma empresa e ter a presença do “diverso” só pode enriquecer a contribuição para a empresa e consequentemente melhorar o valor que aquela empresa agrega à sociedade.

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Foi subeditora de "MELHOR - Gestão de Pessoas" e hoje é colaboradora. Sua última empreitada antes de escrever sobre gestão de pessoas foi na área de comunicação corporativa, o que lhe rende até hoje boas pautas e impressões sobre este universo.
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