Gestão

Virando o jogo

Dorival Donadão
11 de julho de 2014
Dorival Donadão
Dorival Donadão é consultor em gestão e desenvolvimento humano

No artigo anterior, pontuamos alguns aspectos de similaridade entre o mundo do futebol e a formulação estratégica das empresas. A partir do que assumimos como um conceito básico de estratégia empresarial (“onde jogar” e “como ganhar”) fizemos, naquela ocasião, alguns paralelos com a necessidade premente de os negócios construírem um posicionamento competitivo sustentável.

Nesse raciocínio, a definição de “onde jogar” exige o uso da inteligência analítica dos mercados e suas configurações. Assim como o desafio do “como ganhar” requer que as empresas saiam do lugar-comum, das táticas já conhecidas e exauridas. Um novo pensar e agir pode ser o modelo tentativo forte o suficiente para virar o jogo, a exemplo do que fazem os grandes times de futebol, no Brasil e no mundo. O movimento Game Changers, nascido recentemente nos EUA e já contando com mais de 200 empresas, pode dar as pistas dessa virada de jogo.

A ideia central é fundamentada em uma metodologia de autoavaliação das empresas, com base em critérios relacionados, dentre outros, à cultura organizacional, às práticas de mercado, atenção aos aspectos de gestão de pessoas, adoção dos princípios de sustentabilidade. A condição que permeia todo o julgamento da empresa para se definir como uma Game Changer é a sua orientação para um propósito, o que vai além (muito além, aliás) da geração do lucro e das conquistas de market share.

Essa orientação para um propósito pode ser tangenciada pela capacidade da organização de traduzir em práticas efetivas os enunciados da sua missão empresarial. Esse requisito é bastante crítico, a partir das constatações da inoperância de muitas missões empresariais que encontram baixíssimo respaldo na realidade. Os Games Changers não correm o risco de desgastar suas declarações de propósito com enunciados pomposos, mas desprovidos de veracidade. Essa premissa é, portanto, o pré-requisito de entrada para a consciência e criação de valor compartilhado das empresas que estão virando o jogo. Trata-se de um novo modelo de organização para a chamada nova economia, construindo relações equilibradas com a sociedade, a força de trabalho e o conjunto de stakeholders do negócio.

#L# Iniciativas com esse mesmo espírito já estão ativas aqui no Brasil. É o caso do Capitalismo Consciente, abordagem inspirada nos autores do livro (com o mesmo título) John Mackey e Raj Sisodia. Como diz na apresentação do livro o jornalista do Washington Times, Anthony Sadar, “no mundo dos negócios não é preciso ser vilão para chegar na frente – muitas vezes, os ‘caras legais’ vencem a corrida”.

Fica evidenciado o alinhamento, similaridade e sintonia entre as duas correntes – Capitalismo Consciente e Game Changers. A próxima etapa é dar visibilidade e capilaridade a essa rede de pensamento, abrindo as frentes de configuração de uma nova ordem empresarial.

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