Virando o jogo

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Dorival Donadão
Dorival Donadão é consultor em gestão e desenvolvimento humano

Em tempos de Copa do Mundo, é interessante promover uma rápida reflexão sobre as conexões entre estratégias e posicionamentos de negócios no Brasil (de uma maneira geral) e a linguagem futebolística. A primeira reflexão é sobre a própria conceituação adotada em exercícios de posicionamento das empresas: o conceito de estratégia se resume a “onde jogar e como ganhar”, uma síntese igualmente importante para os técnicos e dirigentes esportivos. Em outras palavras, trata-se de definir a chamada arena competitiva (onde jogar) e a formulação de um esquema tático (como ganhar). Parece simples, mas como acontece com notória frequência, as aparências enganam…

Em primeiro lugar porque a escolha da arena competitiva, na dimensão organizacional, por si só é um desafio de inteligência empresarial que traz consigo a exigência de uma série de conhecimentos especializados sobre o mercado, os players desse mercado, suas potencialidades e fragilidades, enfim, todos os fundamentos e premissas para a construção de um desenho de entrada nesse mercado, o famoso business plan.

Logo em seguida vem a pergunta de um milhão de dólares: como ganhar? É claro que a etapa de inteligência empresarial já dará indicações de esquemas táticos que serão úteis para os próximos passos do planejamento. Mas a essência dessa pergunta remete a outro questionamento: os demais competidores da arena não estarão brigando com as mesmas armas? Qual o grau de segurança de que estaremos jogando de uma forma diferenciada, difícil de ser copiada e com boas chances de “fazer escola” no cenário competitivo? Não é exatamente essa surpresa tática a característica que prevalece nos times vencedores como o Bayern de Munique, o Barcelona e o Real Madrid? E como é possível relacionar os estágios de diferenciação desses times com o mundo empresarial?

Uma boa pista é a força mobilizadora que uma empresa pode empreender para surpreender e virar o jogo. Sair da posição tradicional do mercado, da mesmice repetitiva e criar uma proposta inovadora, capaz de chamar para si a responsabilidade de um novo padrão de exigência, um patamar mais elevado de pensar, agir e realizar.
#L# É claro que “ganhar o jogo” continuará sendo primordial. Mas o jogo a ser jogado será outro, bem diferente das regras comuns e tradicionais. É o que está acontecendo com centenas de empresas, boa parte concentrada nos EUA, e que se autodenominam games changers, as organizações que estão mudando para valer as regras do jogo na forma de fazer negócios e gerar lucros.

Um fenômeno recente (pouco mais de dois anos), esse movimento começa a ganhar repercussão no Brasil, agregando empresas do porte de uma Itaipu Binacional e a CPFL Energias Renováveis. Nos EUA, despontam empresas como Google, Virgin e Facebook.

No próximo artigo, voltaremos a esse tema que pode sinalizar o surgimento de uma nova comunidade global de pensamento empresarial.

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