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Bird Box: para o que você tem fechado os olhos na gestão de pessoas?

Da Redação
21 de fevereiro de 2019

Por Isabel Holanda, gerente de Capacitação de Clientes da Fortes Tecnologia

Se você ficou interessado no tema, provavelmente, foi atraído por duas questões: a primeira pode ser por que não assistiu o filme e ficou curioso para saber do que se trata “Bird Box”. Ou, a segunda opção, por que não conseguir associar o que esse filme tem relação com Gestão de Pessoas. O longa-metragem foi baseado no livro com o mesmo nome e de autoria do autor Josh Malerman – publicado no Brasil pela Editora Intrínseca com o título de “Caixa de Pássaros”.

Para você que ainda não assistiu, prometo que não darei “spoiler” ou qualquer dica do clímax que acontece no filme, mas vou apresentar uma síntese para que entenda a relação entre a história e a minha análise feita. O filme acompanha a história de Malorie (Sandra Bullock) onde, em sua primeira cena, já mostra trabalhando em seu ateliê, pintando uma tela.

Cena do filme Bird Box Crédito: Reprodução

Nessa cena, já podemos inferir a inabilidade das pessoas de se conectarem naquele momento que já se mostra hostil. Além do quadro que ela está pintando, existem vários outros diversos que possuem o mesmo padrão: um fundo escuro e pessoas sozinhas. É apresentado, também, as problemáticas da personagem e do seu contexto que é desenvolvido no decorrer da história. Malorie tem dificuldades para se conectar com as pessoas e, ainda mais, não acredita na conexão com seu futuro bebê, ao descobrir logo em seguida sua gravidez.

O fato é que podemos associar algumas lições e ações que podemos aprender com o filme. Veja as principais que relacionei:

Conexão sócio relacional
No filme fica claro que, a partir do momento em que essa crise e problema se alastra, o extinto de sobrevivência fala mais alto e aumenta ainda mais o isolamento de cada sobrevivente.

Os psicanalistas definiriam uma série de mensagens subliminares no filme. Uma delas, a de depressão em massa – doença que tem assolado os dia atuais e devastado uma quantidade significativa de pessoas. Mas, além dessa mensagem que realmente é um apelo subliminar, percebemos mais lições que podemos analisar.

O contexto de isolamento é visto atualmente em diversos segmentos empresariais, principalmente, quando se sobrevive a diversos altos e baixos das corporações. O “não vou mais falar ou comentar sobre” ou “minha opinião não é ouvida. Melhor ficar quieto” são sinais de isolamento corporativo.

Excesso da conexão online
Você já parou para pensar que, embora sejamos todos altamente conectados com as tecnologias que estão disponíveis, temos perdido parte da capacidade de socialização. E isso tem acontecido com todas as atuais e futuras gerações: a necessidade de estar sempre “online”!

O filme nos apresenta o isolamento das pessoas e percebemos que estamos seguindo o mesmo caminho da individualidade relacional. É fato que precisamos da individualidade respeitada, mas estamos perdendo nossa habilidade de conversação real, de diálogos olhos no olhos e de contato com a vida real.

E, por maior que seja a quantidade de coisas que tentem nos conectar (redes sociais, aplicativos de conversação, etc), as relações tem se tornado cada vez mais frágeis. Isso vai reforçando, cada vez mais, o nosso individualismo e não o nosso espírito de coletivismo. Ou seja, nossas conexões tem se tornado rasas, superficiais e voláteis.

A preocupação em conectar pessoas
Mas o que isso tem a ver com a gestão de pessoas? Eu posso afirmar que tem tudo a ver!

Se temos gerações inábeis ou com dificuldades relacionais, que preferem o contato digital ao real, a gestão de pessoas precisa de mais tempo e dedicação por parte dos RH´s e dos líderes para conectar pessoas aos propósitos. E o que seria das organizações sem a conexão dessas dois?

Conectar pessoas precisa estar constantemente em nosso radar de gestores e, em muitos casos, ser uma ação constante em nosso planejamento estratégico. Perceber esse movimento da presença online é primordial e importante, mas sempre se fazendo entender que, por trás do “online”, há uma pessoa e sentimento que são humanos e reais.

A faixa que esconde o invisível: as doenças!
Hoje em dia, vivemos a realidade “fast consumer”. Tudo está ao alcance das mãos e de forma muito rápida. Não nos desconectamos em nenhum momento.

Somos bombardeados por várias notícias, das curiosas às mais aterrorizantes, e não temos paciência para esperar ou ficar para trás em relação ao conhecimento. Isso tudo tem gerado em nossos colaboradores vários tipos de transtornos psíquicos (depressão, bipolaridade, pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC, psicoses, Transtorno de Ansiedade Generalizada -TAG, isolamento social e o excesso de consumismo ou doenças psicossomáticas).

Portanto, é muito importante entender seus colaboradores, suas dores, ambições e expectativas. A empatia dentro das empresas nunca foi um assunto tão tratado e disseminado quanto nestes últimos anos.

É preciso saber se adaptar
A história de “Birdbox” nos convida a descobrir uma nova forma de viver e que nos obrigue a ter contato com coisas que nem sempre queremos. Por exemplo, o contato com o interno, com o seu “eu interior”.

No filme, a personagem principal tem como objetivo manter os filhos em segurança e, por vários momentos, é enfrentada a sair da sua “zona de conforto”. A protagonista é forçada a enxergar o que precisa ser feito, tentando focar em uma esperança de sair do caos e envolvendo sua mudança física e emocional.

Todos sabemos o quanto é difícil sair da zona de conforto e enfrentar qualquer mudança. Quantas travessias, dificuldades, problemas e reviravoltas (como as da Malorie) muitos de nós já não passou e ainda vamos passar. A adaptabilidade também é algo bastante prezado nas corporações e na vida pessoal.

Escolhas difíceis
Sempre fomos desafiados a tomar decisões complicadas que implicam, muitas vezes, em resultados que tem efeito rebote.

Trabalhar as pessoas de sua empresa para aprender a analisar a situação, enxergar os efeitos que vem a rebote, mitigar os impactos e lidar de forma humana com as consequências, precisam ser uma de nossas preocupações com gestão dos recursos humanos.

Na película, temos várias situações difíceis em que alguém precisa tomar uma decisão. O fato é que sempre seremos desafiados a tomar decisões e muitas delas difíceis. Mas nunca paramos para analisar após a decisão feita. Como ficamos e em que nos tornamos? Foi a decisão certa a fazer? Se não, há como voltar atrás?

Lidar com o efeito da decisão em muitos casos pode nos consumir e, caso não façamos da forma estruturada, não saberemos como trabalhar de forma produtiva e estratégica nossas principais decisões.

Como trabalhar a “decisão” nas empresas
Muitas vezes, deparamos-nos com situações delicadas, mas lidar com elas é a grande questão. Podemos proporcionar uma Gestalt terapia para grupos que são mais expostos a esse tipo de decisão ou grupos focais para debater. Além disso, compartilhar situações ou até mesmo propiciar nas empresas acompanhamento com terapeutas e psicólogos, pode ser uma excelente decisão para diagnóstico e melhoria de questões que não foram resolvidas.

O importante é entender que, para muitas questões, não teremos respostas e que isso precisa ser trabalhado nas organizações.

Ou seja, acesse sua biblioteca interna de referência. Quanto mais nos conhecemos mais acesso a essas informações teremos e com maior agilidade.

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