Gestão

Cresce a busca por trabalho remoto

Da Redação
10 de janeiro de 2019

Trabalhar fora do escritório, seja em tempo parcial ou integral, tem se tornado uma tendência cada vez mais forte no mercado profissional. Segundo um levantamento da Gallup, o número de funcionários que trabalham algum período de tempo fora do escritório cresceu de 39% (2012) para 43% (2016).

“É uma tendência bastante considerável e que merece muita atenção de empregadores e colaboradores. Temos grande parte da equipe hoje remotamente e isso foi diferencial para uma das colaboradoras, que queria trabalhar de qualquer lugar do mundo. Não é apenas um detalhe, é uma premissa da sua carreira. É uma demanda que tem crescido por parte dos funcionários e é fundamental que os gestores e líderes estejam preparados para liderar equipes que trabalham a distância”, explica Fernando Pacheco, diretor-executivo da consultoria Penser e autor do livro O caminho dos líderes.

Crédito: Freepik

A liderança remota não apenas faz parte da rotina de trabalho de Pacheco, como também se tornou tema da sua dissertação de mestrado. Segundo ele, um dos maiores desafios é se adaptar adequadamente à modelagem remota. “Não adianta replicar os métodos do modelo de trabalho tradicional. É preciso dar uma atenção especial e pensar sobre as especificidades do trabalho remoto. Por exemplo: é preciso ter cuidado para não segregar os colaboradores remotos dos presenciais. Uma boa iniciativa é adaptar as reuniões para que todos possam participar. Além disso, é importante pensar em mecanismos que continuem validando o vinculo emociona entre as pessoas”, analisa.

Outra dica, segundo ele, é definir com clareza as metas e prazos que o time de funcionários deve cumprir. “Assim, o foco estará na entrega das metas dentro do prazo combinado e não no número de horas trabalhadas por dia. Essa estratégia ajuda a avaliar objetivamente os colaboradores com base nos resultados alcançados”, diz.

Outro desafio é evitar a microgestão (obsessão em controlar todas as atividades realizadas por seus colaboradores). “Muitos gestores estão acostumados a vigiar os hábitos de seus funcionários e, quando têm de lidar com trabalhadores remotos, criam outras formas de exercer este controle – o que pode comprometer a produtividade da empresa. Para ter um time remoto é preciso criar uma relação de confiança e ter empatia com os subordinados”, declara.

Por fim, Pacheco também orienta a utilização de algumas ferramentas tecnológicas para tornar a rotina de trabalho mais prática e produtiva. “Existem diversas ferramentas para auxiliar na gestão de projetos, organização, compartilhamento de arquivos e comunicação interna. O Slack, por exemplo, é uma plataforma de online workspace, comunicação e centralização de informação, podendo ajudar bastante”, aconselha.

“Ganho de tempo e aumento de foco”

Para Guilherme Valgas, que há 8 meses atua como executivo da EmCasa, a experiência de trabalho remoto trouxe ganho de tempo, aumento de foco e simplicidade na tomada de decisões. “Esse modelo traz mais autonomia, gestão das próprias atividades e redução do stress – já que não existem deslocamentos diários. Além disso, a restrição geográfica nos possibilita buscar os melhores profissionais em qualquer lugar do mundo”, resume Valgas.

Valgas explica que a equipe é híbrida, com duas bases físicas (Rio de Janeiro e São Paulo) e colaboradores remotos espalhados por todo o Brasil. “Buscamos fazer alinhamentos de 1 a 2 vezes por semana, para definir tarefas e os principais objetivos da semana”, diz.

Mesmo com o bom funcionamento a distância, Valgas não dispensa o contato físico com o negócio. Ele conta que viaja pelo menos uma vez por mês para um dos escritórios para validar e executar algumas ações de marketing. “O contato presencial é uma forma de colher feedbacks mais detalhados e realimentar a estratégia de marketing para as próximas semanas. É importante viver o dia a dia, os desafios dos times de vendas e operações, com os quais possuo grande integração”, acredita. Além disso, toda a empresa se reúne a cada 6 meses, em média, durante três dias para realizar atividades de integração e discutir os próximos passos do negócio.

Para ele, o principal desafio de liderar um time remoto é o acompanhamento de tarefas e dificuldades que a equipe vive no dia a dia. “Outro desafio é conseguir integrar um time em crescimento acelerado. Porém, como a EmCasa já nasceu remota, já temos a cultura de encontrar soluções e criar estratégias para que a distância não atrapalhe a performance do time. A ideia é aproveitar todos os benefícios do trabalho remoto, para que as pessoas tenham mais qualidade de vida e resultados superiores”, define.

Por fim, quando falamos em trabalho remoto, uma das maiores dúvidas entre os gestores é como motivar e valorizar uma equipe que trabalha a distância. Para Valgas a resposta é transparência e alinhamento de expectativas e objetivos.

“Não vejo muita diferença nos dois modelos (remoto e presencial). Mesmo num ambiente presencial, nem sempre o líder consegue trabalhar esses pontos. Geralmente, procuramos profissionais que já valorizam o trabalho remoto e, a partir daí, definimos os canais de comunicação para cada momento. Assim, conseguimos uma relação mais transparente entre líderes e liderados”, arremata.

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