Carreira e Educação

Fake news mais prejudiciais no mercado de trabalho

Da Redação
24 de maio de 2019

As eleições de 2018 aqui no Brasil colocram também nos centro das discussões as famosas fake news, ou notícias falsas.

Há muito tempo no mundo corporativo essa prática já existia, mas nunca foi discutida com a devida atenção. E, por esta razão também, muitos problemas acabam prejudicando os profissionais e as empresas.

É muito comum ver anúncios de vagas prometendo benefícios e outras coisas e, no final, a empresa não cumprir com o que estava descrito. Como também profissionais mentindo sobre experiências e cursos nos currículos ou em entrevistas.

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Lucas Oggiam, gerente executivo da Page Personnel, compilou 5 exemplos em sua experiência no recrutamento de profissionais em mais de 10 especializações de mercado, passando por Engenharia, Varejo, Finanças, entre outros). Confira a análise:

Illustration of fake news concept

Vagas falsas: anúncios para colher dados ou “mapear” o mercado
Infelizmente, em momentos de desemprego em alta, essa prática tem sido comum. Algumas empresas criam anúncios de vagas na internet que na verdade estão fechadas. O intuito aqui é apenas mapear o mercado, entender como está a demanda, quanto os profissionais estão pedindo de salários e benefícios, enfim, uma sondagem “fake”.

Muitas vezes isso é feito de forma relativamente inocente, mas não é uma prática aceitável. Um anúncio de emprego deve, em primeiro lugar, oferecer uma oportunidade. Essa prática de sondar o mercado deve ser feita com o auxílio de uma consultoria especializada, ou de plataformas online com banco de currículos.

Há também um risco maior com vagas falsas quando alguns “aproveitadores” divulgam essas informações para obter informações pessoais dos candidatos projetando eventuais golpes ou até mesmo vender esse banco de dados para empresas. Ao receber vagas por e-mail ou até Whats App, vale checar a procedência da empresa, se há divulgação em outros portais e até mesmo entrar em contato com a companhia para verificar a autenticidade das informações.

Salário turbinado: aumentando os rendimentos para negociar um teto maior
Alguns candidatos “turbinam” o salário das experiências anteriores – isso é bastante comum em vagas de regime PJ – onde se torna mais difícil a comprovação dos rendimentos. Não há nenhum problema em buscar melhorar a expectativa de ganhos, pelo contrário, isso é universalmente praticado.

O problema aqui é quando o candidato, na ânsia de melhorar sua condição, pode ser confrontado pelo RH, o que certamente, vai gerar algum grau de desconforto. A saída para isso é simples: abrir o jogo sobre o salário real, e explicar o porquê deseja e precisa ganhar mais. É simples e mais profissional.

Saídas fantasiosas: mentiras sobre as razões de ter largado um emprego
É compreensível que um candidato não queira expor problemas e desencontros de experiências anteriores em um novo trabalho. Até aí tudo bem. Mas, quando essa omissão de informação impacta diretamente em alguma exigência técnica ou comportamental para uma nova posição, aí teremos um problema.

Seguindo o mesmo exemplo da questão salarial: vale muito mais ser franco e explicar os reais motivos de ter largado (ou ter sido despedido) um trabalho e argumentar o quanto isso o fez crescer e melhorar, pensando na nova oportunidade. De novo: é uma questão de foro íntimo, mas a omissão pode custar um preço caro, incluindo quebra de confiança ou mal-estar, a partir do momento que alguém saiba ou descubra a outra versão da história.

Qualificação além do real: o fake para aumentar a “senioridade”
Numa primeira leitura, talvez todo mundo possa pensar que é “normal” promover suas próprias habilidades (elevando um pouco o nível real) diante de uma nova chance de trabalho. Promover é uma coisa, mentir ou ultrapassar o razoável é outra. Em pouco tempo os gestores vão perceber que a pessoa não tinha a experiência exigida pela vaga, e isso certamente vai gerar desgaste. A empresa investe dinheiro na captação de talentos.

É óbvio que profissionais de todos os níveis hierárquicos vão se projetar diante de uma nova chance, mas isso não pode de forma alguma alterar o nível de conhecimento ou a experiência adquirida. A conta sairá cara. Vale sim incorporar ao currículo viagens, cursos online, palestras, experiências de contato com influenciadores e profissionais consagrados do mercado, isso tudo bem. Mas descrever qualidades que nunca foram testadas, ou pior, se “vender” com uma experiência jamais vivida, são práticas que vão gerar problemas, mais cedo ou mais tarde.

Certificados/projetos duvidosos: quando as comprovações não batem
Inventar certificados, omitir informações sobre a carga horária real de cursos, extensões ou experiências no exterior, infelizmente, são mais comuns do que se imagina. Além da distorção em termos de experiência, conforme abordamos na questão anterior, aqui temos um problema ainda mais grave: a presunção de que um certificado fake ou a suposta participação em um projeto que não condiz com a verdade vão ajudar na escolha da empresa na hora da contratação.

A mentira/distorção pode até ajudar nas palavras-chave do currículo, mas não vai sobreviver às entrevistas presenciais. Há mais ou menos dois anos, uma jovem empreendedora no Brasil teve problemas com a reputação exatamente nesse quesito: certificados que não eram compatíveis com o conhecimento proposto, e a participação em projetos que não tinham a finalidade autopromovida. Ou seja, não vale a pena deslizar nesse quesito. É muito mais interessante o candidato descrever seus conhecimentos informais no currículo, e explicá-los na entrevista presencial, do que fantasiar com as certificações.

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