Carreira e Educação

Investindo na diversidade de gênero

de em 14 de abril de 2014

“Minha equipe hoje é composta por 20 profissionais, entre efetivos e estagiários. Desses 20, dois são homens e 18 são mulheres.” A declaração de Luciana Campello à época em que gerenciava a área de Talentos da Dell do Brasil, em 2013, é um sinal claro de que as mulheres conquistaram definitivamente seu espaço no mercado de trabalho, mas será que a participação delas na iniciativa privada é traduzida em salários e oportunidades iguais às oferecidas aos pares masculinos?

Marialba dos Santos Coelho
Marialba, da Eletrosul: mulheres ganham posições de liderança naturalmente

Estudos indicam que esta ainda não é a realidade global. Sabe-se que elas estão cada vez mais na dianteira dos estudos, todavia salários e cargos não acompanham essa evolução. No Brasil, as mulheres que estudaram 12 anos ou mais recebem salários equivalentes a 66% da remuneração dos homens. “Pesquisas demonstram que a presença das mulheres nas gerências intermediárias está equilibrada em relação aos homens. A maior lacuna encontra-se nos níveis estratégicos, onde essa participação da mulher em conselhos de administração, no âmbito mundial, gira em torno de 11%”, explica Marialba dos Santos Coelho, gerente da Assessoria de Gestão Administrativa da Eletrosul.

Mas nem tudo está perdido para elas. Iniciativas positivas de empresas do sul do país mostram que a diversidade de gêneros é algo saudável aos negócios, mesmo porque a maioria dessas iniciativas está calcada na meritocracia; quem se esforça mais vence, independentemente de cor, credo ou gênero. Por sinal, este é o cenário de trabalho encontrado nas empresas mencionadas até então: Dell Brasil e Eletrosul. Ambas constituíram programas de atração e retenção visando à diversidade de gênero e não se arrependem da decisão.

Ganhando espaço
“Acreditamos no esforço e na eficiência do nosso time, e queremos que a Dell seja um local no qual nossos colaboradores possam se desenvolver profissionalmente, sendo respeitados e valorizados pelo resultado que geram para a companhia, independentemente de qualquer outro fator”, destaca o Global Executive HR Business Partner da Dell, Paulo Amorim.

   
   

A subsidiária brasileira da companhia norte-americana de computadores trabalha com programas para garantir a diversidade não só de gênero, mas também de pessoas que lutam contra a discriminação social, os deficientes e homossexuais. Trata-se dos projetos WISE (Woman in Search of Excellence), PRIDE e DellTA (Dell True Ability), visando a inclusão adequada de mulheres, pessoas de orientações sexuais diferentes e deficientes físicos ao ambiente de trabalho e o Dell Women’s Entrepreneur Network (DWEN), que tem por objetivo promover o empreendedorismo feminino, principalmente em mercados emergentes.

Luciana Campello
Luciana, da Dell Brasil: comanda equipe de 20 pessoas, apenas dois são homens

Na Eletrosul, empresa cujo expertise está focada em serviços de engenharia elétrica e mecânica, profissões predominantemente masculinas, a aposta em diversidade em seus quadros começou em 2006. Na época constituiu-se o Comitê de Gênero e Raça, que, desde então, desenvolve uma série de ações visando a igualdade de oportunidades. Marialba, da Eletrosul, destaca que as mulheres são a minoria nos concursos da empresa de transmissão e geração de energia, mas que aos poucos essa história vem sendo alterada.

“O último concurso, que vigorou até 2011, demonstrou que a presença feminina nas formações mencionadas já é realidade, mas ainda é muito inferior ao número de homens. Contudo, elas estão obtendo as melhores classificações.”

Profissionais mais qualificados representam eficiência e uma disputa mais acirrada, porém saudável, pela liderança das equipes. Na visão da executiva da Eletrosul, nesse cenário, as mulheres vêm conquistando naturalmente posições de liderança. “Percebo que, na Eletrosul, que é uma empresa voltada para resultados, o perfil profissional e a qualificação predominam nos critérios de escolha”, ressalta. “Mulheres em posição de comando são vistas como sendo tão estratégicas e tão dispostas a correr riscos quanto os homens. A visão ampliada feminina tem se revelado como um dos principais requisitos para ocuparem posições nos conselhos de administração”, completa.

Rigor na avaliação
Contudo, para Marialba, no geral, as mulheres ainda são mais rigorosamente avaliadas do que os homens. E a maternidade sempre está entre os percalços apresentados para não alçá-las à liderança. O que para alguns é um problema para outros é um desafio. E assim foi na ThoughtWorks, empresa de software dos EUA que escolheu a capital gaúcha como sede no Brasil e que figura entre as melhores empresas para trabalhar em nosso país, de acordo com a pesquisa do Great Place to Work. Lá, em vez de punir as executivas que resolveram ser mães, o RH estendeu a licença maternidade para seis meses, dois a mais do que o estabelecido em lei. 

Ademais, para atrair mais mulheres existe um board global e um grupo local que discute maneiras de atrair e mantê-las não só na empresa, mas na área de TI. Para tanto são promovidos eventos específicos buscando mostrar o campo da tecnologia como uma área atrativa para o sexo feminino.

 Na mesma linha de atrair a base para o mercado de trabalho, seguem as ações no Instituto Lojas Renner. A segunda maior rede varejista de roupas do país destina parte de sua renda a projetos de entidades que oferecem programa de inserção das mulheres no mercado de trabalho, seja por meio de projetos que visam a formação profissional delas ou até ações voltadas ao empreendedorismo feminino. Uma ótima pedida para uma empresa que conta com 60% de sua força de trabalho no sexo feminino, sendo que 50% delas exercem funções de liderança.

#L# 
Em um contexto de uma sociedade mais democrática e de um mercado consumidor cada vez mais exigente e diversificado, é imperioso que RHs de todo o globo levem para suas companhias ações como as descritas acima
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