Artigo

Medicina do Estilo de Vida e a saúde corporativa

A Medicina do Estilo de Vida pode colaborar, e muito, com as organizações

Da Redação
8 de novembro de 2018

Por Dr. Rodrigo Bornhausen Demarch, membro-fundador do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida

Todos os anos, milhares de pessoas são afastadas do trabalho no Brasil por diferentes tipos de doenças. Entre as mais comuns estão as doenças osteomusculares, como a dor nas costas, os transtornos psicoemocionais e comportamentais, como a depressão e a ansiedade, aquelas relacionadas ao aparelho digestivo e ao aparelho cardiovascular, como hipertensão, acidente vascular cerebral e infarto.

Crédito: Freepik

No nosso campo de atuação, acreditamos que, ao participar do desafio de desenhar um novo futuro para a saúde, tão vital para o desenvolvimento humano e social de uma nação, é preciso ter uma visão sistêmica em todos os níveis e áreas da sociedade, inclusive nas organizações, intensificando, acima de tudo o diálogo, a comunicação entre as partes interessadas. Uma empresa não deveria ser apenas um local de trabalho, mas sim fonte de informação, de disseminação de valores, de promoção, preservação da saúde e prevenção de doenças.

É preciso, cada vez mais, buscar a saúde integral e contínua do trabalhador, entendendo a sua relação intrínseca com a sustentabilidade da empresa onde ele trabalha e, em última instância, do próprio sistema de saúde. E aqui a Medicina do Estilo de Vida pode colaborar, e muito, com as organizações. Ela é uma área da medicina vista como algo novo – e de fato é, se pensarmos na forma como ela é conceitualmente colocada, mas as evidências científicas que fundamentam sua aplicação são conhecidas há décadas.

Empresa e autocuidado 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 60% dos agravos à saúde que ocorrem com a população devem-se à adoção de comportamentos não saudáveis, como a falta de atividade física, tabagismo e alimentação abundante em produtos industrializados, superprocessados e com poucos vegetais, frutas e grãos integrais, por exemplo.

Isso reforça a ideia de que nossa saúde depende de escolhas essenciais que fazemos no nosso dia a dia, como não fumar, ter uma dieta baseada em plantas, integrais e sem exageros em termos de quantidade, dormir bem, praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada… A receita parece simples, mas por que não a seguimos?

Preservar e promover a saúde é responsabilidade de cada um de nós, devendo ser praticada por todos através de um comportamento saudável, com hábitos que não tragam prejuízos ao funcionamento de nosso organismo e atitudes que possibilitem melhorar nossa qualidade de vida. O autocuidado, ou o cuidar de si próprio, é uma destas atitudes que devem ser valorizadas e estimuladas, inclusive dentro das organizações. Para isso, entretanto, o ambiente de trabalho deve ser cuidadosamente construído para que seja um agente facilitador na busca de um estilo de vida saudável por parte das pessoas.

Estimular esta prática em nossa cultura corporativa costuma ser algo episódico, campanha disso, campanha daquilo. Mas as organizações podem realizar isso de forma sustentável, envolvendo os líderes, implantando ações internamente (refeitório e lanchonete com opções de alimentação saudáveis, espaço para “descompressão”, áreas de convivência, etc.), assim como políticas, planos e programas com orçamentos adequados e que forneçam recursos necessários para que essa população de trabalhadores possa, de fato, ser mais saudável.

É uma parceria que vai além apenas do benefício econômico. Trata-se de colaborar de forma efetiva na construção de uma empresa saudável em todos os aspectos: financeiro, humano e social. De 9 a 11 de novembro de 2018 ocorre o I Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, organizado pelo Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, onde estes e outros temas serão abordados. É uma boa oportunidade para discutirmos mais sobre o importante papel das organizações na construção de um sistema de saúde sustentável.

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