Gestão

Mulheres oferecem menos risco na gestão das empresas

As mulheres exibem perfis de personalidade menos propensos a desvios de conduta que resultam em potenciais riscos para as organizações

Da Redação
28 de julho de 2018

Minoria em posições estratégicas das empresas, as mulheres exibem perfis de personalidade menos propensos a desvios de conduta que resultam em potenciais riscos para as organizações. É o que mostra a Pesquisa Perfil Comportamental de Executivos: homens versus mulheres, elaborada pela HSD Consultoria. Participaram do processo de avaliação comportamental 3.500 profissionais que ocupavam cargos de comando em médias e grandes corporações entre 2014 e 2017. Deste total, somente 26% eram mulheres. 

Segundo a pesquisa, das 3.500 pessoas que participaram do processo, 27% apresentaram desvio de caráter. Destes, 80% eram do sexo masculino. Se forem comparados os percentuais de pessoas com desvio de caráter com relação ao sexo, é possível também concluir que 20,77% das mulheres em cargos executivos demonstram o problema. Já o percentual dos homens é bem maior: 29,2%.

Esta é a primeira vez que a consultoria segmenta os resultados por perfis de gênero. “A decisão de comparar os perfis comportamentais entre homens e mulheres veio da minha experiência como consultora. Apesar de vermos que as características femininas mudam o perfil de gestão de uma empresa, as organizações ainda relutam em contratar mulheres para cargos importantes. Não é necessário que haja um programa de cotas, mas sim uma mudança de visão dos empresários”, afirma a CEO da HSD, Susana Falchi.

Segundo Susana, este baixo percentual mostra que ainda há a preferência pelo sexo masculino para cargos estratégicos. “Embora os homens tragam um risco maior para a empresa, as corporações dão pouco valor à avaliação do fator humano em suas matrizes de risco”, alerta. As mulheres que exibem desvio correspondem a 5,4% do total de analisados. Já entre os homens, 21,6% exibiam essa característica. “Em termos percentuais sobre a amostragem total, é possível observar que ao contratar mulheres, o risco de conduta inapropriada cai de forma considerável”, observa Susana.

A HSD avalia perfis comportamentais de executivos desde 2000. O estudo é feito por meio de entrevistas individuais e da aplicação de um conjunto de testes psicológicos, como os projetivos (em que se avalia as funções psíquicas do indivíduo), o Disc (que aponta a forma como age em variadas situações), de inteligência (avaliação sobre entendimento de diferentes níveis de complexidade e envolvimento de muitas variáveis em um determinado contexto) e até o grafológico que, embora não reconhecido no país pelo Conselho Regional de Psicologia, é largamente utilizado em todo o mundo.

No estudo, são considerados desvios de caráter características como: interesses pessoais desmedidos, conflitos de interesses com atividades que levam a ganhos individuais e condutas moral e ética inadequadas. Dentre as práticas, executivos com esse perfil de personalidade estão maquiagem de resultados, desvios de valores financeiros, manipulação de dados e pessoas para atendimento a interesses próprios e outros comportamentos que resultam em risco para as corporações.

A avaliação é totalmente técnica, independente da percepção do interlocutor que o está entrevistando. “Em nossa metodologia, quem tem contato com os indivíduos não realiza o processo de avaliação, que fica a cargo dos especialistas em comportamento, baseando-se somente nos resultados das ferramentas”, explica Susana e completa: “Independentemente da questão de gênero, há um elevado número de pessoas com perfis comportamentais propensos à prática de atos condenáveis na sociedade e temerários nas empresas. Isso ocorre porque as corporações não se preocupam com a personalidade daqueles que contratam e, ao valorizarem apenas capacitação, preparo técnico, experiência e formação acadêmica, acabam se expondo a sérios riscos”, diz Susana. “As empresas precisam entender que o fator humano é elemento essencial em suas matrizes de riscos”.

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