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O papel da cultura do cuidado

No atual cenário, ouvir e demonstrar empatia são o ponto de partida para mudarmos o jogo e nos reinventarmos a cada dia

A pandemia chegou bagunçando a vida de muita gente. Desconstruiu uma série de tradições, planos, hábitos e crenças, e fez com que fôssemos obrigados a enxergar o mundo sob outra ótica. Nos deparamos com um prisma muito mais transparente, colaborativo e baseado em alguns importantes pilares que, em muitos casos, tinham ficado esquecidos.

No mercado corporativo, um desses pilares é a cultura do cuidado. Ou seja, a importância de se prestar atenção à saúde psicológica dos colaboradores e de manter um apoio constante a eles, oferecendo subsídios para que desenvolvam plenamente suas funções ao mesmo tempo em que mantêm uma rotina pessoal equilibrada e saudável.

Antes da pandemia, esse pensamento já era muito evidente. Tive a oportunidade de trabalhar remotamente durante alguns meses na Itália, na companhia do meu filho Miguel, agora com três anos. Durante um período, minha mãe esteve comigo e me ajudou cuidando dele e da casa enquanto eu trabalhava. Mas ela precisou voltar para o Brasil e, de repente, éramos eu, ele, a casa e o trabalho.

O momento pedia uma atitude da empresa

A experiência foi ótima, mas demandou uma dedicação dobrada, o que acabou me transformando em uma pessoa mais resiliente, flexível, adaptável e segura. De volta ao Brasil, me deparo com um cenário similar ao que vivi há alguns meses, neste caso, em razão do novo coronavírus. Isso me fez pensar quanto a experiência anterior me preparou para encarar o trabalho remoto novamente, somado com a obrigatoriedade do isolamento social, e, ainda, com uma criança pequena para cuidar.

Os líderes precisam ter encontros frequentes com todo o time. E devem falar sobre a vida da pessoa como um todo

Assumindo um novo desafio em uma grande empresa de marketing digital, percebi que a quarentena e a transferência de 100% da equipe para a modalidade home office eram grandes novidades para todos. Como principal executiva de RH da companhia, e refletindo sobre tudo o que eu já havia passado com a experiência na Itália, cheguei à conclusão de que o momento pedia uma atitude da empresa em relação aos colaboradores. Era preciso dar apoio àqueles que, agora, se encontravam na mesma posição em que estive anteriormente: equilibrar trabalho; filho; casa; rotina. O jogo dos pratinhos.

Falar sobre suas preocupações

Foi assim que nasceu a ideia do primeiro grupo de apoio da empresa, o Grupo de Pais & Mães. Sem mediação de psicólogo e sem controle de frequência, buscamos, com a iniciativa, escutar, apoiar e trocar aprendizados. O importante é as nossas pessoas terem um canal para conversar, porque isso faz muito bem.

Os participantes contam sobre as preocupações da semana, como tem sido o ajuste das crianças a este momento, entre outros assuntos. Com o passar do tempo, estendemos o projeto para além dos pais e mães e, atualmente, temos cinco grupos diferentes de suporte. Cada um com seus desafios próprios e aprendizados compartilhados. Nós mensuramos frequentemente todas as ações da área de People e os dados e diversos depoimentos positivos dos participantes compravam sua eficácia.

O colaborador se sente valorizado e, consequentemente, mais engajado para superar os desafios diários

Mas a nossa “cultura do cuidado” vai além dos grupos de apoio. Trabalhamos para garantir que pais e mães, principalmente, tenham flexibilidade de horário. Quando você precisa cuidar de crianças, além de você mesmo, uma hora de almoço, por exemplo, passa muito rápido. Também reforçamos que líderes precisam acompanhar resultados e ter encontros frequentes com todo o time. Nessas reuniões, devem falar sobre a vida da pessoa como um todo, porque vida pessoal versus vida profissional é coisa do passado.

Sentir-se valorizado

Os líderes devem ouvir, exercer empatia e discutir alternativas para resolver problemas.

Na minha visão, esse olhar para a saúde da equipe acaba sendo, também, benéfico para a organização, pois o colaborador se sente valorizado e, consequentemente, mais engajado para superar os desafios diários, tanto no campo pessoal quanto na parte profissional.  A cultura da valorização e do cuidado com o bem mais valioso da empresa, as pessoas, torna-se ainda mais necessária em meio a uma pandemia.

Diante de um momento tão único, podemos não ter todas as respostas, mas os simples ato de ouvir e de demonstrar empatia são o ponto de partida para seguirmos mudando o jogo e nos reinventando a cada dia.

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Souzanne Dupont

Souzanne Dupont é Chief People Officer na GhFly Network, holding detentora da Adyante e da GhFly, agência de marketing digital da América Latina