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Saúde

Precisamos falar sobre Burnout!

Da Redação
7 de março de 2019

Por Rafael Canineu, diretor médico da Vidalink

Provavelmente, todos nós já tivemos a oportunidade de conhecer no ambiente de trabalho um profissional que é o primeiro a chegar e o último a sair e que responde e-mails de madrugada e aos finais de semana. Esse era o exemplo de quem vestia a camisa da empresa. Mas as novas gerações questionam cada vez mais esse modelo e não desejam ser esse profissional. E com total razão!

A ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil) realizou uma série de estudos que apontaram que 70% dos brasileiros sofrem com algum grau de estresse. Considerando uma população de mais de 100 milhões de trabalhadores, é fácil estimar os impactos desses números. A pesquisa também comparou esses níveis em diversos países, e o Brasil ficou atrás apenas do Japão no quesito alto nível de estresse dos colaboradores. Mais um ponto: a maioria dos profissionais relaciona o estresse com o trabalho e, das pessoas que sofrem com o problema, 30% desenvolveram a Síndrome de Burnout.

Crédito: Shutterstock

O sintoma típico dessa doença é a sensação de esgotamento físico e emocional, porém, o Burnout pode se apresentar de inúmeras outras formas também, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, dificuldade de concentração, lapsos de memória, pessimismo e baixa autoestima. Além de sintomas comportamentais ou psicológicos, os indivíduos podem também apresentar sinais físicos como enxaqueca, cansaço, palpitação, pressão alta, dores musculares ou insônia.

Burnout é caro

Além do custo pessoal do Burnout, há também o impacto financeiro para as empresas, já que um funcionário doente tende a se afastar mais e produzir menos. A ISMA – BR calculou que a falta de produtividade causada pela exaustão gera prejuízo de 3,5% ao PIB (Produto Interno Bruto), conforme cálculos feitos em 2016.

Apesar de a Síndrome de Burnout já estar descrita no Código Internacional de Doenças (CID 10), o diagnóstico não é tão simples, já que os sintomas se confundem com o estresse do dia a dia e, na maioria das vezes, são pouco valorizados por quem sofre do problema.

Alguns estudos apontam que, aproximadamente, 90% dos indivíduos que sofrem da Síndrome de Burnout preenchem critérios para depressão, doença que atinge mais de 320 milhões de indivíduos ao redor do mundo (4,4% da população). Atualmente, é uma das doenças mais incapacitantes e cresce constantemente, entre 2005 e 2015 os casos aumentaram 18%. Fora a estimativa que mais da metade dos indivíduos que sofrem de depressão podem não saber da doença. Não tenho pesquisa que comprove, mas o mesmo provavelmente pode acontecer com a Síndrome de Burnout.

O tratamento dessas condições, seja a Síndrome de Burnout ou depressão, envolve uma série de ações que precisam ser combinadas, para que uma melhora permanente do paciente possa ser atingida. O acompanhamento médico e psicoterápico aliado a medidas não medicamentosas, como terapia e atividade física, são de extrema importância, porém, muitas vezes o uso de medicamentos é fundamental para ter uma melhora ou mesmo a cura.

Levando-se em conta a relação próxima entre Burnout e depressão, somado ao fato que muitas vezes essas doenças têm causas profissionais e interferem diretamente na produtividade do paciente, durante 12 meses conduzi um estudo, junto à Vidalink, com 15.306 pessoas que tinham plano de saúde corporativo, na faixa de 31 a 55 anos, para analisar fatores que poderiam ter um impacto positivo na adesão ao tratamento da depressão, dentre eles o subsídio na compra de medicamentos.

Constatamos que o número de pacientes com depressão e boa adesão ao tratamento aumentou 2,5 vezes nas empresas que oferecem subsídio de 50%, se comparado àqueles que não possuíam este benefício. Sem o apoio na compra de medicamentos, apenas 20% dos pacientes com depressão demonstraram uma boa adesão ao tratamento medicamentoso.

Assim, alerto que as empresas devem estar atentas a todos os aspectos da saúde de seus colaboradores, sejam eles físicos ou emocionais, só assim são capazes de trabalhar de forma efetiva e oferecer melhor qualidade de vida a eles. Só estudando e conhecendo a fundo a população que será possível oferecer os cuidados que eles realmente estejam precisando.

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