Artigo

Respeitar a diversidade

Da Redação
14 de dezembro de 2018

Se humanização é a ação ou o efeito de tornar humano ou mais humano, se é o processo de transformação dos primatas no homem de hoje e se esse homem tem a diversidade intrínseca nessa evolução, talvez pareça redundante falar de humanização nas questões da diversidade. Mas não é: basta olharmos como determinadas características humanas são rejeitadas
– por outros humanos. Principalmente as relacionadas à hegemonia estética europeia, ao comportamento do macho ou à perfeição e cultura física de narciso.

Jorgete Lemos é diretora de diversidade da ABRH-Brasil e da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços

Nós, seres humanos, estamos tendo dificuldade em solucionar esse dilema: saber, querer e fazer. Por isso, ainda precisamos falar sobre a humanização
das relações entre os seres humanos, pois os crimes de ódio e de racismo ainda persistem e crescem. Ódio e racismo evidenciam-se na sociedade, mas podem estar sendo incubados em nossas organizações. Assim como as empresas impactam a sociedade, a recíproca é verdadeira.

Perguntas que não se calam: até quando, em nossos ambientes de trabalho, olharemos para a frente e para os lados e não veremos negros, mulheres ou
homens, senão quando em cargos operacionais?

Qual a nossa contribuição para a mudança desse quadro sem cor? Até quando serão mantidos os muros que impedem as mulheres de ascenderem
ao topo nas empresas, simplesmente por serem mulheres? Até quando vamos nos perguntar o que fazer com o banheiro para uso por pessoas
trans, no local de trabalho?

Todos nós conhecemos os argumentos que conspiram contra o curso inevitável rumo à promoção da diversidade com equidade. É água
corrente, sem qualquer possibilidade de retorno. Água desperdiçada não gera sustentabilidade.

Temos 51,5% da população brasileira constituída por mulheres, mas apenas 13,6% em cargos de chefia; e quando falamos de mulheres negras, somente 1,6% ocupam posição de gerência. O desperdício é saber que a promoção de igualdade de gênero poderia acrescentar US$ 28 trilhões ao produto interno bruto global, por exemplo.

Nós, profissionais que atuamos com pessoas, temos como grande desafio gerar oportunidades para que as organizações aprendam a ver o outro, o diverso, sem repulsa, ódio, descaso.

Nos últimos cinco anos, na ABRH-Brasil e em suas seccionais, verificamos avanços reais. Em 2013, o assunto ainda não era parte da pauta estratégica como é hoje. Mérito de quem? Sempre há alguém alavancando o processo, mas quem mostra o caminho é o líder da organização.

Naquele ano, a então presidente Leyla Nascimento definiu que teríamos uma diretoria de Diversidade, convidando-me para essa missão. Em 2016,
Elaine Saad, ao substituir Leyla, manteve a diretoria e a mim como diretora. Isso quer dizer que é possível, sim, abordar temas sofisticados, como os que compõem a diversidade, e avançar, conquistando adesões ao tema e ampliando a rede de relacionamentos com os mais diversos públicos. Se
a ABRH-Brasil pode alcançar esse patamar, outras organizações também podem, com certeza.

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