Tecnologia

Startup cria algoritmo capaz de aumentar diversidade nas empresas

Da Redação
3 de agosto de 2019

A falta de diversidade entre os funcionários de uma empresa está entre as dez mais frequentes preocupações dos profissionais de Recursos Humanos no Brasil. Mas se depender da inteligência artificial, o risco de o empregador contratar mais um clone de alguém indicado como o “perfeito para a vaga” está com os dias contados.

DIVERSIDADE
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Crédito: Shutterstock

Um algoritmo inédito, desenvolvido no Brasil pela Rocketmat, conseguiu ir além das soluções de TI atualmente oferecidas às áreas de RH, já que não depende de combinações (também chamada de match) entre as centenas de currículos enviados e as exigências, muitas vezes subjetivas, estabelecidas para a vaga.

“Qual é a prova de que dispensar os CVs dos candidatos com mais de 50 anos pode ser melhor para os resultados e a cultura da empresa? Por que aquele cargo deve ser preenchido exclusivamente por homens?”, questiona Tiago Machado, especialista em RH e um dos sócios-fundadores da Rocketmat. Na filosofia da startup, a definição do que é um profissional “modelo” não pode vir de conceitos externos, e sim de estatísticas internas da companhia.

“Usamos inteligência artificial ‘de verdade’, com um algoritmo criado para compreender a dinâmica da organização, vasculhando o banco de dados da empresa atrás das características comuns de todos os milhares de colaboradores com elevado grau de performance, que trabalharam ou já passaram por lá”, explica.

Apelidado de Matthew, o algoritmo elenca, em questão de segundos, as competências verdadeiramente necessárias para o cargo, juntando traços de comportamento, capacidades técnicas e habilidades cognitivas dentro do grupo de indivíduos se destaca naquela função. “É comum nosso próprio cliente se surpreender com o resultado dessa análise, quando descobrem, por exemplo, que os colaboradores com mais aderência a uma vaga de estágio não estudaram em universidades tradicionais; ou que mulheres com filhos pequenos têm menor número de faltas e baixo índice de turnover.”

Só depois de revelado as características que garantem o sucesso para o negócio, a empresa inicia a segunda etapa do processo, comparando as habilidades detectadas pela Inteligência Artificial às informações descritas por candidatos e candidatas na pilha de currículos que chegaram ao RH. Ao contrário de outras ferramentas tecnológicas, com o uso do Matthew, nenhum CV é descartado sumariamente por um filtro subjetivo.

Além de evitar o desperdício de talentos, o algoritmo está programado para chegar a um ponto de equilíbrio entre as boas e más qualidades do grupo de funcionários com alta performance, dentro da premissa de que somos todos humanos, sujeitos a erros e em constante evolução. “Ninguém é melhor ou pior na fase de recrutamento. O que existem são comportamentos que têm maior probabilidade de não se adaptarem a uma determinada função, mas seriam perfeitos para liderar outro setor do negócio.”

Neste sentido, o Matthew não serve apenas para o processo de recrutamento e seleção, mas também para a gestão de pessoas, mapeamento de promoções e identificação de potenciais desligamentos na empresa. Mais do que uma facilidade para a equipe de Recursos Humanos – acrescenta o sócio –, o algoritmo ainda cumpre um papel social no mercado de trabalho.

No exemplo dos jovens que disputam uma mesma vaga e cursaram universidades diferentes, é possível que o currículo onde esteja o nome da instituição de ensino mais prestigiada fosse chamado para a entrevista, em detrimento do candidato que estudou numa faculdade menos qualificada. “A inteligência artificial não permitiria esse julgamento. Todos os interessados ou interessadas pela vaga têm chances idênticas de serem selecionados, por aquilo que realmente faz a diferença naquele business”.

Como o Matthew é estrategicamente programado para não considerar filtros que podem gerar qualquer critério discriminatório (idade, gênero, raça, instituição de ensino, local da moradia etc.), são maiores as chances de aliar comprometimento, resultado e diversidade na empresa.

Aprendizado da Máquina – Além de compreender os pontos fortes e fracos dos colaboradores com alta performance na empresa, o algoritmo da Rocketmat se adapta à realidade de cada cliente, reagindo ao deparar-se com uma nova característica dos profissionais ou quando sua premissa não foi 100% comprovada. “Quanto mais ele vasculha, mais apurada fica sua compreensão”, diz o sócio.

Essa tecnologia, também conhecida como machine learning, é uma das subáreas de inteligência artificial, e isso fica claro na definição do MIT (Massachusetts Institute of Technology) para o termo AI / Artificial Intelligence: “Máquinas com habilidades cognitivas de aprender, por meio de experiências anteriores, e resolver problemas da mesma maneira que o cérebro humano”.

Parceria com a Amazon
A segurança dos dados e o suporte para o sistema de TI da startup estão garantidos pelas soluções da Amazon Web Services (AWS).

Machado, ao lado de três outros sócios – Paulo Nascimento, Pedro Lombardo e Jason Gillespie (atual CEO da empresa) – desenvolveram o algoritmo Matthew no Brasil depois de conhecerem a dor dos recrutadores nas empresas em suas trajetórias profissionais. “Percebíamos o quanto eles se frustravam por não conseguirem dar a atenção necessária às centenas de candidaturas que chegavam as suas mesas”, afirma.

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